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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


20 dezembro 2010

assinatura

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[Jorge Barbosa Filho]

tento ir em prantos
mas choro de tanto de rir
em cantos escuros
onde sou muitos e tantos.
minha solidão é fiel
ela não me deixa só,
ando por aí contido
como espelhos.

não procuro cheques,
sheiks, ou o X da questão.  
procuro um antídoto
algum nome, um som
sem bilhetes suicidas.
ganhei-me pelas frestas
e mesmo sendo assim,
dei uma imensa festa
dentro de mim!

até que enfim,
fiquei lindo a noite toda
para esperar por mim,
mas não fui, não vou, nem vim.
as luas dos meus lábios
incendeiam-me insensato
nesta espera sincera,
esqueço quem sou
e lembro quem flui.

passaria séculos convicto
em ser uma oitava acima
de marte e plutão.
mas meu amor não cabe
na boca de um vulcão.
meu umbigo é um big-bang
e é apenas um improviso,
uma fuga de uma jazz band.

não me levei em conta,
não botei na ponta do lápis.
passei na prova dos nove
mas me falta um pouco de álibi.
escrevo com minha sombra,
sem sombra de dúvidas...
nas minhas ilusões, eu me acho
e assino em baixo, em baixo.


Meu amigos estou enviando, ao que parece, o último poema do ano para que vocês possam colocar em seus blogs. Eu agradeço e bom Natal e Ano Novo para todos. Um Abração... 
jorge barbosa filho

01 dezembro 2010

OS LIMITES DO EXPERIMENTAL ATUAL


Após assistir à Mostra Limite – Poéticas do Real, promovida no Cineplex Batel, dia 24 de novembro, pelos alunos do 6.º Período da CINETV/PR, para a Disciplina Administração Cultural, sob supervisão de Joana Nin, os ecos que me ficam são todos da mesma natureza: o descontentamento. Entre os filmes digitais exibidos na tarde de quarta-feira, não há sequer um, a meu ver, que merecia ter sido visto/exibido. Espantoso. Destaca-se o muitíssimo premiado “Man.Road.River”, de Marcellvs L., onde dilatação do tempo confunde-se com desperdício de tempo. Alguém tente, por favor, me convencer que é interessante acompanhar durante 10 minutos um homem atravessar um rio. Sim, eu sei, o importante não é o “que”, mas o “como”, mas não posso me furtar a perguntar: Como pode algo dessa natureza dizer algo sobre quem somos, retratar nossas angústias, mazelas ou apenas proporcionar alguma sensibilização de nossos espíritos? Críticos procuram ver nos filmes, sobretudo nos ditos “experimentais”, aquilo que lhes convêm; a sensação de quem deixa as mostras e festivais de filmes “de arte”/experimentais é a de que qualquer coisa, frise-se bem, qualquer coisa audiovisual é válida. Ora, qual é o interesse em filmes como “Ensaio para um vídeo vigilância”, de Arthur Tuoto? Será que esses realizadores realmente levam a sério o trabalho que apresentam ou apenas riem-se ao lançar no mundo filhos natimortos pela completa falta de dicção? Filmes vazios de significado desfilaram diante da platéia como uma procissão de nossa incompetência artística. Simplesmente filmes que não comunicam nada e nem ao menos proporcionam o tão aclamado prazer estético. Não quero dizer com isso que nosso “cinema brasileiro” deve, prescinda de narratividade, que vise contar histórias para entreter um espectador faminto de mensagens. Somente que os filmes “geniais” desses autores não tem a mínima noção do que significa alteridade; seus filmes são masturbatórios, nos deixam com a sensação de que “é só fazer e botar pra frente que todo mundo é artista”; carecem de rigor (o híbrido “Osório”, de Heloísa Passos e Tina Hardy, por exemplo, peca pela disparidade entre uma fotografia bem cuidada intercalada a imagens ruidosas). Não venho aqui fazer uma apologia à técnica, não é isso; nem levantar a bandeira dos filmes “redondos”, “bem acabados”, filmes “que funcionam”. O caso é que muitas das obras apresentadas não possuem organicidade, são, no mais das vezes, junções de imagens e sons que carecem de conceito, experimentos estéreis de realizadores imprecisos. O mais espantoso na Mostra foi, contudo, nenhum dos filmes trajar o “complexo de Maya Deren” - referência à realizadora surrealista/não-surrealista estadunidense -, que pauta três em quatro produções experimentais da cidade. “Experimental” no atual cinema brasileiro: uma crítica que tenta procurar sentido em filmes que não valem a pena.         No time dos “peliculosos”, alguns oásis no desértico cinedocdeartebrasucaexperimentual: “Visionários”, de Fernando Severo – me fez lembrar o porquê dele ser considerado o marco do Cinema da Retomada no Paraná – e o ponto alto da noite: “Regard Edgar” (de Joel Pizzini, Gustavo Jardim e Emilio Gallo), cine-manifesto feito no calor da hora, veiculador de problematizações acerca do desmantelamento dos cinemas de rua no Brasil. Quanto a “Dormente”, de Joel Pizzini, o único da noite a proporcionar, ao menos a mim, o tão referido – por nossa insossa crítica cinematográfica contemporânea - prazer estético, infelizmente acaba caindo na ode ao futurismo marinettiano, tão bem retratado n‘O homem com a câmera”, de Vertov. “Ocidente”, de Leonardo Sette, é película gasta sem motivo.    Obras desconexas tornam-se celebradas. A trilogia “Não há ninguém aqui”, de Wagner Morales, deveria ser a epígrafe da crise de público no parque exibidor nacional, pois não é à toa que não conquistamos de fato a audiência: o discurso de entendidos que preencheu a tela e espirrou pelas caixas de som do cineminha de shopping é chato mesmo para os tais entendidos. O discurso rarefeito que visava atingir nossos olhos e ouvidos, penetrar a alma, ficou apenas na superfície, cinema de epiderme. A tormenta retumbante da falta de jeito parecia dizer a cada frame-fotograma: “aqui não há espaço pra diálogo, não senhores!”. A falta de rigor é visível (e audível): experimental confunde-se, várias vezes, com “desleixado”. “Passenger”, de Kika Nicolela, e “Teoria da paisagem”, de Roberto Bellini, não merecem mais que uma palavra: desnecessários. Os limites do atual cinema experimental brasileiro, se o diálogo for pautado pela Mostra Limite, me parecem ser, portanto, limitados; no entanto, os realizadores procuram expandi-los aos limites da própria materialidade das mídias, ou seja, tudo o que caiba em tantos pés de filme ou gigabites tá valendo. E isso me preocupa fortemente ao lembrar as possibilidades do cinema 3D. Quanto ao filme do Cao, eu não vi: crucifiquem-me.