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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


19 junho 2010

Resenha Espetáculo Lady Macbeth
Festival de Curitiba – 2010

Começo refletindo sobre o espaço escolhido para apresentar o espetáculo: o palco principal do Teatro Guaíra. A meu ver, o auditório Bento Munhoz da Rocha Netto, definitivamente não foi feito para teatro.  O espaço “engole” os atores e o uso de microfone, da maneira como é feita, deixa o som bidimensional. Em Lady Macbeth, atores de televisão, acostumados a atuar para câmeras sumiam, tanto no visual como no sonoro. Shakespeare em tom coloquial, nessas condições, a mim soa enfadonho. A linguagem é boa, mas como disse, o espaço não ajudou.
Tecnicamente o espetáculo é impecável. A cenografia é simplória, mas tornou dinâmico o desenrolar da peça, o que acaba se tornando um ponto positivo.
A luz e a sonoplastia foram extraordinárias.
A peça não se dividiu em atos, mas em duas partes, o que causou estranhamento. A primeira parte teve maior duração que a segunda, que focou somente o trecho de guerra. O intervalo jogou contra o espetáculo, pois “esfriou” o público. Sendo a segunda parte, dinâmica - as batalhas - muitas pessoas deixaram o teatro antes do desfecho.
Agora, atuação, as bruxas ficam na memória de quem assistiu. Eram dois atores e Renata Sorrah interpretando as famosas personagens. A mim causou incômodo, apesar de ser bom. Explico: a meu ver, deveriam, ou ser três atores, ou três atrizes. A minha interpretação para o fato é que atrizes ofuscariam Renata que, no espetáculo era a diva.
Na platéia, sentia-se um burburinho nas entradas da global, com direito a aplausos e risadas em momentos desnecessários. Parece uma falta de cultura teatral imiscuída com a cultura de idolatria aos astros da televisão.
A construção e o crescimento dramático da interpretação da atriz parecem desacertados. Sorrah já começou com um tom enlouquecido. No momento em que sua personagem realmente estava louca, ela não tinha mais loucura para alcançar.
Daniel Dantas - o Macbeth - ao contrário, parecia estar em casa, sentado na mesa do café da manhã, lendo seu jornal e conversando com sua família, tamanha coloquialidade e trivialidade apresentadas.
Por fim, falando sobre o espetáculo, o texto, figurinos e encenação foram bem adaptados para os padrões coloquiais do nosso tempo, sem adaptar a geografia, vale ressaltar.


João Graf
06.04.2010


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