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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


31 março 2009

"esse pileque homérico no mundo de que adianta ter boa vontade mesmo calado o peito resta a cuca dos bêbados do centro da cidade" (Cálice)

30 março 2009

Eu nunca quis a segurança de quem não arrisca nada ou Ich habe die Nase voll!

Nós apenas pairamos sobre a vida, nessa abstração que chamamos sociedade. Mas a vida tem muito de inexplicável. Tudo o que importa encontra-se entranhado às avessas e no lado esquerdo de nossas caras duras de perplexidade. Cara, e as pessoas seguem preocupadas com suas vidas. Amando. Sofrendo. Se fudendo. A vida é mesmo extremática: o tudo e o nada. O quente e o frio. O alto e o baixo. E isso não é irresistível? Como os manos Viven La Vida Loca, Vida Loka!, acredito que a resposta está nos olhos dos outros. Tudo que sei de mim foi-me dito pelo brilho ou pela opacidade do globo ocular de meus "semelhantes". Repetindo a mim mesmo: A vida é mesmo coisa muito louca. Apenas o que posso dizer de mim é que sou corajoso. Não penso nunca em desistir, e encaro a vida sempre de frente com sinceras vistas ao bem-querer. Adios! Willkomen! "nem todo beijo é pecado! nem toda fruta é maçã! nem todo réu é culpado! nem toda culpa é cristã! nem toda carta é marcada! nem toda lente é ray-ban! nem toda noite é noitada! nem toda luz é manhã!"

EPITÁFIO PARA UM POETA

Passou fungando pela vida

26 março 2009

CURITA Alguma coisa acontece a minha razão Que só quando vamos protestar no encontro das Marechais É que quando eu dei por mim eu já estava ali Cercado por várias pessoas bradando As mãos levantadas, folia de curitibanos Sempre houve para mim o Leminski, Blindagem, Andersen, Dalton Trevisan Alguma coisa acontece a minha razão E só quando vamos protestar no encontro das Marechais (baseada, obviamente, em "Sampa")
CAFÉ DO ESTUDANTE DO TEATRO MAFALDA PARANGOLÉ CAFÉ bem forte sem açúcar CAFÉ pra todo mundo que tá de pé Café menos pro defunto que esse ya se fue!

25 março 2009

A DAMA INDOMÁVEL

(outro texto em construção) Vim pra te domesticar. Eu, capitão inglês, colonizador voraz de minha índia selvagem. Coibi com mão-de-ferro teu instinto infiel. Domei a natureza cruel de tuas práticas milenares. Fiz da língua tua chicote da minha bunda. Ajustei teu ritmo ao bater do Big Ben. O rio da tua vida não faz mais curvas. É agora linha reta que desemboca no meu ego. Sistematizada. Planificada. A alma cartesiana sem quaisquer parábolas. Prendo as garras fortemente nas veias de teu pulso. Você, a pulga saltadora que não foge do meu frasco. Se num impulso pula fora, com violência é o teu castigo. Teus hábitos, costumes, manias, tudo controlado. É agora prisioneira, escrava, bibelô, criatura submissa sob teu macho suado. Pois eu sou dono desse corpo, dessa mente, dessa essência. Se não abaixa a cabeça a chibata come na hora! (quanta maldade! continua...)

22 março 2009

ESPERANDO GODARD

(texto em construção...) Godard, não me faça esperar já são tantas as agruras dessa vida veja só toda a dor da despedida que nos tira as forças pra lutar Godard, se eu fosse um sambista eu tiraria a camisa e a poria a rodar no pescoço, um colar de flores ouviria apenas o ruído da cuica esqueceria de todo o caos, tudo aquilo que me faz desanimar De que nos vale esta aclamada juventude se com ela nada fazemos a não ser reclamar? Anos e anos de completa solidão Ah, Godard... Como é chato esperar o ser amado mesmo que ele venha de carro A demora nos faz viajar nos torna infeliz de fato Aquele mesmo bar de tantas cervejas está fechado e a ele não podemos recorrer A espera terá de ser a seco A seco é que terei de sobreviver A vida, que grande palhaçada! (continua...)

21 março 2009

OPÇÕES

Um dia me disses: "Não sou para ti; arrume uma artista". Como sempre OBEDECI. ou: Ficamos no bar até a vida melhorar!? "Quando você me deixou meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem. Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci, mas depois como era de costume obedeci. Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer! Olhos nos olhos, quero ver o que você faz ao sentir que sem você eu passo bem demais... E que venho até remoçando, me pego cantando sem mais nem porquê e tantas águas rolaram... Olhos nos olhos, quero ver o que você diz quero ver como suporta me ver tão feliz..." (Sempre Chico)

19 março 2009

O TEMPO NÃO PÁRA!

Freddie Mercury morreu. Pasolini morreu. Oscar Wilde morreu. Nem todos os meus heróis morreram de overdose. Nessa era de neuroses o difícil é ser humano. Como Geni (ou Geni me come?) prefiro amar os bichos. Mas não as bichas! Espera: amo sim. Dou beijos no rosto quando as cumprimento. Aliás, a todas elas meus mais sinceros cumprimentos. Palmas e mais palmas. O que é viver essa condição nesse mundo de meu deus? Meus camaradas, o mundo hoje é gay! Em pouquíssimo tempo nós, os heteroartistassexuais, seremos minoria. Em pouco tempo, haverá um terceiro banheiro em nossas repartições, bares, diversos lugares. Em pouco tempo o Homo, o OMO, UOMO deixará de ser excessão. Será sim a situação. E você, meu nobre camarada, por que ainda faz oposição? Você, meu caro machão, que se encolhe de medo por causa dessa influência (deveras positiva) sensibilizadora da realidade; você que ainda não percebeu, deixo o meu pequeno recado: o mundo, hoje em dia, é bicha. E viva Cazuza.

13 março 2009

ANGÚSTIA

Chove. Entro num bar. Chove dentro do bar. O mundo inteiro um grande palco? Chove em mim papéis picados prateados. Me revolto. Saio, mas logo retorno. Dia sim outro também afogado no meu copo. Encharcado, mal seguro os meus frangalhos: Chove na Amintas de Barros. "...mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar mas a mulher, a mulher que eu amei não pôde me seguir, não... esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem Veloso, o sol não é tão bonito pra quem vem do norte e vai viver na rua... a noite fria me ensinou a amar mais o meu dia e pela dor eu descobri o poder da alegria e a certeza de que tenho coisas novas coisas novas pra dizer..." Belchior, in: "Fotografia 3X4"

08 março 2009

EPIDERME

Chego em casa apressado meu reino por uma caneta há duas horas uma idéia genial insistentemente forte martela minha cabeça Nem uma mísera BIC no bolso um puto então nem se fala Enfrentei ônibus abarrotado com aquelas senhoras chatas puxando papo crianças chorando, gritando, esperneando engarrafamento quilomêtrico e desvios inimagináveis Rente à porta ponho a chave no tambor e TEK partida ao meio que agonia: hoje não deve ser meu dia! Desesperado, uma boa idéia vale a vida, verifico a carteira: R$ 1,30 o jeito é voar pra uma LAN, o RU da noite já era, foda-se a fechadura Em frente à tela (já era hora provar da segurança digital) TEK-TELEK-TELEK-TEK palavras fluem com propriedade a grande promessa de escritor finalmente se concretiza até que enfim a obra-prima Tão absorvido no trabalho percebo da pior maneira o mau-funcionamento do CTRL-S os incontáveis zeros e ums perdidos na imensidão virtual essa hora talvez já estejam em Saturno Porém nada de desânimo de infantaria que eu sou não há nada que me abala havia ainda uma última cartada Entro correndo no Come-Come na cozinha o meu oásis uma faca o fio de uma navalha por minha mão sem resistência é surrupiada me tranco no banheiro e dou ouvidos ao mundo interior Na pele a faca afiada minha alma aliviada fica tudo registrado em forma de tatuagem: o sangue mancha os guardanapos e agora é que transcrevo os dados da minha última cruzada.
preciso escrever movimento contínuo
UMA TENTATIVA DE TRADUZIR "It's been a hard days night": TÊM DIAS EM QUE A NOITE É FODA!

PROFISSÃO: ARTISTA

Quando criança desenhava peixinhos na areia da praia. Agora faz rodelas de copo nas folhas em branco.

MERCADINHO SÃO JORGE

a Seu Zé (in memorian) a Toninho Malvadeza HOJE NA VENDINHA VOU TOMAR UM DOUBLE GUACO. NEM QUE VENDA A ALMA MINHA, DÊ A ALGUMA MENININHA MEUS PENTELHOS DE POLACO. HOJE NA VENDINHA VAI ROLAR A VERA. NUMA MÃO ENROLE A SEDA, NOUTRA SUSTENTE A BÉRA. E NÃO ESQUEÇA DE CHAMAR AQUELA NOSSA TIA ERVA. HOJE NA VENDINHA ALGUNS MALUCOS VÃO PARAR OUTROS TANTOS MUITOS OUTROS A BEBER VÃO COMEÇAR E LOGO VEM A CORRERIA LÁ PRO FUNDO DA VENDINHA NOS AZULEJOS MUITA URINA IREMOS TODOS DESPEJAR VOCÊ SABE AQUELE LEMA: "AQUI SE TOMA, AQUI SE DEIXA!" NÃO QUERO OUVIR É QUEIXA OU PRESENCIAR ENCRENCA PRA TERESA SE ESTRESSAR.

NO PASSEIO

4 anos passando na quebrada apressadinho Há uns 7 procuro por ela no caminho Outros tantos sentado na calçada bebo vinho e lembro aqueles dias quando andei no pedalinho Gerações e gerações de famílias curitibanas Nas vias com crianças carregando traquitanas Os bagres n'água verde balançando as barbatanas e as mocinhas todas velhas exibindo as doidivanas No momento tudo isso me ativa a lembrança de que é necessário cultivar a esperança mas sigo solitário sem nada me aprazer Os velhos vão velhando vozes vociferando comem as donas com os olhos a baba escorregando Essas coisas me deixam comovido como o quê!
NADA CAI DO CÉU A NÃO SER PEDRA NA TERRA DE DRUMMOND. SE CHOVE SOPA POBRE TÁ DE GARFO RI DO PRÓPRIO ABANDONO. DURA CABEÇA DO POVO. AQUI VIERAM E LEVARAM TODO O OURO PRIMEIRA A ÚLTIMA PEPITA QUEM SE IMPORTA SE É DE TOLO? POIS TOLOS É O QUE SOMOS. ESTAMOS TODOS EM ESTADO BRUTO ESPERANDO O LAPIDO PREMIDOS NO MATADOURO. SEGUIMOS PRONTOS PRO ABATE E MUNIDAS DE MARRETAS NOSSAS CRIANÇAS NOS SERVEM DE MULETAS E DE NOSSA PARTE RECEBEM ABANDONO. O FUTURO DA NAÇÃO SEGUE QUEBRANDO PEDRAS E SEM FORÇA É QUE O FAZEM. A SOPA SUJA DE NOSSOS LARES NÃO SERVE NEM AOS VELHOS DOENTES. SEUS DENTES DE OURO HÁ MUITO SE FORAM A BOLACHA-MARIA ROLA NA BOCA BANGUELA. DURA CABEÇA DO POVO. É DESSE MODO QUE "VIVEMOS". ESSE É O NOSSO ESTADO POBRE. TOLO. SUJO. E DURA D OURO.

06 março 2009

BOTECANDO

se eu fosse ao Empório se tomasse um vinho no Largo se ligasse pra Ana pra Luiza pra Bárbara se esquecesse os problemas se desligasse essa televisão se não sentisse tanto a falta dela se ela não cometesse tantas faltas se a vó não estivesse doente se eu tivesse tido um pai presente se eu fosse de vez pra Porto Alegre e se isso me fizesse alegre se eu pintasse um quadro se eu jogasse bola se eu tomasse um gole a mais se ela me desse bola se eu não fosse pobre se eu fosse à praia e se eu usasse sunga se eu comprasse um carro se eu desse um trago se eu desse um pega (nela, no cigarro) se o tio estivesse vivo e se eu fosse o Nino se eu fizesse Medicina Direito Filosofia e se eu gozasse dentro? se eu comesse tinta se fosse boa pinta se aumentasse o pinto se tivesse bunda se pegasse puta se pagasse a conta se tomasse bomba e se ela não fosse tão cachorra se fosse tomar chimarrão na Barra do Saí se não fosse barra não te ver se eu conseguisse te esquecer se não chovesse no meu peito se sobrasse comida no prato se escrever não fosse um parto eu seria feliz de fato?

a Paulo José Costa

CIDADE VAZIA Caminho pela Rua XV Nada de folia Na Comendador Apenas posso ouvir os grilos grilhando Sem batidas de carros Sirenes de ambulância ou pessoas tagarelando Está tudo calmo Lojas fechadas Bares fechados As pessoas fechadas Fechada também a vida CARNAVAL EM CURITIBA

03 março 2009

e de q adianta a certeza????.... só causa sofrimento, só confirma o q no fundo sabemos: estamos inevitavelmente fadados ao fracasso! transcorre aos poucos o nosso tempo; enrolamo-nos numa espiral que nos trará o nada; acabamos perdidos num fosso.... o pensar é o grande disparate: veja essas criaturas felizes comendo pipocas pelos parques... nós, os pensantes, sabemos que o fim chegará e vivemos solitários, flertando com o suicídio; internados em hospícios; carentes de amor. a vida, minha amiga, é que é o grande carma. viver e pensar, pensar e viver. viver dá câncer!