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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


30 novembro 2009

VII É a vida às vezes dói mesmo mas nada é maior que a vida nem mesmo a mulher amada esse câncer que me corrõe a alma ela mudou a minha vida e partiu numa nuvem fria a única certeza que tenho na vida é que eu a amo e que nesse ano horrível de 2009 tive o meu melhor inverno de 21 de junho a 15 20 de outubro fui um sortudo apesar de tudo e que tristeza não mais a ter em minha vida vou aos lugares aonde íamos pra tentar nos ver mas não consigo isso é impossível volto aos mesmos lugares e me deprimo vou ao MON ao bosque passo em frente ao basset pra tentar te ver sentada naquela cadeira ou no bossa recheado de baladeiras beras e coisas ineficazes no meu atual estado e o pior é em casa o momento derradeiro ao final da noite e sei que este meu fluxo já está me deixando a mim e a todos cansado e que minha pugna luta briga com ela está CADa dia mais complicado o tempo passa voa e não fico numa boa a vida eis o verdadeiro fluxo impetuosa segue em frente e eu aqui doente sem vc sem ela só com letras e café e dor de borboletas no estômago gastricamente dolorido ela a figurinha única que completa meu álbum meu porão aqui aberto comigo trancado dentro sem chave sem clave sem nexo apenas ruído e fantasia esperança que nunca se consome de ver redimida minha situação absurda de levar uma existência sem vê-la encontrá-la na rua no café no teatro que você não quis ir pra não recair em por mim sim você me amou eu sei e talvez ainda haja amor aí amor essa palavra dolorosa estranha complicada o que enseja luz e sombra e cor e penumbra e talvez um dia eu me redima porque sinto que sei que sou um tanto bem maior como você me disse sou sim bem melhor que aquele antigo eu que não mais sou agora meu reino é também o seu nem somos mais diferentes demais somos iguais embora diferentes e eis o que é contraproducente mandar mensagens pra você a cada segundo meu fluxo fluindo como recurso apelação à causa dos santos-milagrosos da catedral da paz e medo medo é normal eu queria apenas protegê-la de tudo do mundo das coisas nefastas tenho medo de altura tenho altura de um metro e oitenta e nem esquenta que nada vai ficar atrás no passado no regaço na escuridão da tumba do Paraná do sarará que sararia por ela eu viraria vendedor de calçados deixaria de lado essa bobagem de arte por ela literatura alguma de minha lavra sairia eu enfrentaria até academia e iria à festa da uva por ela por ela só por ela eu tiraria todas as dúvidas eu amputaria um dedo eu amputaria um dedo para tê-la de volta em minha vida pois do que adianta vinte dedos se um punho basta pra empunhar a arma? lembro novamente Drummond em linhas bem tortas não se mate Carlos não se mate Carlos o amor é assim mesmo um dia beija um dia não beija portanto não se mate tome chuva na cara tome uma boa pinga tome porrada do guarda tome coragem pra enfrentar a vida ela é única sem dúvida a vida a capuletto formosura sua musa estamos cansados de ser dois sujos numa noite perdida escura e eu leprevost e jacobsen garantimos que a arte não vale tanto quanto as mulheres de nossas vidas mas agora é tarde agora é muito tarde é Manaus é recife vindo em frente é partir e voltar diferente juazeiro em fevereiro os dois sertões que se encontrarão o do ceará e minha alma em estiagem é maldizer as mulheres brigar com os amigos afundar-se em palavras e imagens aceitar a condição de Nietzsche e Kafka translucidar a metamorfose inabalada de certezas já há muito gastas aceitar a minha sina meu fado destino de ser abandonado um maior abandonado de vagar sozinho nau à deriva em Curitiba ou outra qualquer cidade fria de viver sem companhia com a solidão a me tentar a me dar idéias que não quero levar a cabo de ficar em círculos atrás do próprio rabo e concordo com o que li com Rita Lee que o sexo vem dos outros e vai embora mas o amor vem de nós e demora quando é verdadeiro e nos faz mudar de meios de iconoclasticamente destruir os nossos ídolos ritos e práxis mas há gente que ama e desama muito rápido ou sei lá o quê mas eu não eu que sou branco e barbudo e tô na moda que escrevo e pinto e filmo e fotografo e faço coisas deveras inúteis e também teatreio e tenho medo de avião que me levará pra longe daqui mas um dia irei voltar e voltando eu irei partir sem álibis sem Katze sem mein Schatz infelizmente doente sorriso amarelado páginas amareladas a vida inteira em sépia ao recordar as antigas chagas os estigmas que corroem meus punhos pequenos demais pra um homem em alinho com os astros com os trinta batendo à porta da incompreensão sem sermões cem sermões de padres indo à lugares que a ela não me levarão.

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