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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


05 novembro 2009

V infelizmente não tenho ido ao cinema porque cinema tem me deprimido e andar sozinho tem me deprimido mas ficar em casa também me deprime então eu saio a esmo e faço coisas idiotas apesar de ser um cineasta e escritor e qualquer bobagem me deprime menos filmes de arte que aliás nem esses tenho visto nem truffaut ou bergman ou fellini ou o que quer que seja eu fico o dia inteiro menos a manhã que aí eu durmo sentado em algum lugar esperando o momento da vida melhorar porque vocês eu não sei só sei que a solidão apavora é atroz e pra resolvê-la amenizá-la tentar mudar é preciso poetar escrever vociferar contra tudo e todos contra os casais felizes nas praças da cidade aos milhares de fuscas azuis que agora eu consigo ver e não tenho ninguém pra dar uns tapas e é só infelicidade na vida dessa cidade acho que ano que vem vou-me embora não pra pasárgada ou eldorado mas sim pra österreich alles gute Bier im der hauptstadt wien mas na verdade eu agora parei de beber porque isso é ruim e faz com que a mulher amada pule fora e com razão ninguém merece um bêbado um louco um cara sem noção que nada tem a acrescentar e então eu vou passar a ficar em casa mesmo mesmo que lá esteja sem luz e só entre coisas que me deixam na solidão um som um ar o cheiro dela impregnado no meu colchão e tá tudo cinza sem você lê mesmo esse dia ensolarado lá fora aqui dentro de mim nessa coisa estranha que é te ver não te ver não ter a tua mão sobre a minha Quebrando um pouco a seqüência tentando igualar um pouco a vida devo dizer aqui no meio mesmo que O título desse capítulo que é o quinto o quinto dos inferno pra mim é renúncia ao meu mundinho de merda porque vocês sabem o amor é uma renúncia e essa é a maior prova de amor que eu posso dar ou talvez a única é renunciar ao meu antigo mundo e não me importo se isso não dá literatura e se não se faz boa literatura com bons sentimentos apenas o que sei é que literatura e arte boa ou ruim não amenizam o sentimento de dor que vem junto com a perda da mulher amada e não quero rimar amor com dor por isso renuncio renuncio àquilo que me era o mais importante àquela arte feita no front sofrida na pele experiência exacerbada a partir de agora farei a arte comedida funcionária pública careta domada renuncio aos bares à rotina dos bares que dela apenas me afasta(vam) e passo a me tratar freqüentando o AA pois um anjo de cabelo curtinho veio me salvar do meu mundinho e a ela sou muito grato renuncio aos pseudo amigos ficarão comigo apenas os de verdade e o mesmo vale para os camaradas uns 6 ou 7 apenas tutto bona gente a minha pequena máfia por isso por isso renuncio não quero esperar quatro anos e perceber que minha flor casou-se com outro eu eu é que estarei lá ocupando o meu lugar e mais à frente seremos três dois éles L’s a me mandar ela e nossa pequena Luiza porque elas devem ser maioria garantia que não me deixará afundar na vida na noite na sarjeta na bebida e quando o momento mais triste da vida chegar quando ela se for estarei ainda lá porque deu no tarô nos búzios na mão no mapa dos astros e agora saturno está em libra deu que viverei até meus 97 anos de idade e lá naquele momento eu também morrerei mas não agora agora vou reconquistar o território e dia após dia seguirei a fazê-lo não deixarei ela me esquecer nem em um milhão de anos não tenho vocação pra Hemingway não vou me permitir enforcar na árvore mais alta da Rui Barbosa porque tenho medo de altura e porque não tenho tendências suicidas embora a mudança seja a maior constante na vida e eu mudei vocês vão ver e eu não a quero a mudança a vida sem ela ela é o sentido a substância o recheio que colore tudo o meu novo mundo a luz a estrada e eu era apenas o seu chorume mas não agora não a partir daqui e vocês eu não sei mas eu odeio professores de dança porque eles querem me fazer dançar ao quererem dançar em salões alheios e nisso eu custo mas creio como creio que por ela eu usaria cuecas e meias deixaria o alcoolismo teria filhos grudaria o corpo tatuagem e tudo contra as colunas da cidade mostraria a vida uma nova vida mais bela mostraria minha cara a verdadeira sem maquiagem uma rua XV cheia de novidades eu descobriria subiria no maior arranha-céu de curitiba e iria de elevador direto para o alto pra berrar bem forte o nome dela lá do terraço aprenderia a cozinhar direito pastel de queijo pizza e pipoca com bacon porque sei o que quero e mais ainda o que não quero não quero desaguar todo outubro nem ouvir chorando os discos do menudo quero comprar um fusca azul para seguir perdendo no jogo juntar meu ar ao dela pra sempre arder em fogo ar e ar sintonia única o dito saturno em libra os 27 meu e dela rir da graça de nosso infortúnio de estarmos pra sempre ferrados porque somos apaixonados desde o primeiro momento aquele início bastante improvável e se não der vou fazer a mala e ir embora para o paraguai lembro do começo num domingo à noite ocasião monótona sem nada especial um bar qualquer inusual papo ameno pra passar o tempo um bom amigo convidado que apareceu pra mudar os fatos e mudou meu fado de um lado eu e uma menina ele e ela na outra ponta ninguém podia prever o que dali surgiria entre uma cerveja e outra e ainda tantas outras algo de incipiente no ar se insinuava um desviar de olhar de minha parte que de modo estranho não se consumava os olhos de gata em alerta me hipnotizavam e eu beirava à indiscrição então dias passados comentários com o amigo e elogios por sua escolha porém a eles a coisa muito boba novo encontro e de novo a mesma impressão aí ataque resultado infrutífero então dias mais fim de casos o encontro no teatro e no café também e outra vez é domingo e ali a vida voltou a fazer sentido desde então voltei a crer no humano pois ela é a mulher mais bonita que conheço e também o ser humano mais bonito algo em que não acreditava mais naquele meu mundo de encontros em banheiros de bar cinemas e bibliotecas mas principalmente bares e agora José e agora essa cara amassada no espelho essa angústia a perda a solidão que não mata mas dá a idéia e tenta e faz com que eu abra a janela do meu primeiro andar o que não machucaria nada não sei mais de nada o café continua amargo sei apenas que se pudesse ganhá-la continuaria no jogo se isso fosse factível separaria o joio do trigo me faria de amigo iria certeiro no umbigo caminharia na rua embaixo da umbrella faria uma sopa um chá arrumaria a caminha faria sem camisinha por ela pegaria HIV faria tudo e muito mais seria dela e ela seria minha jogaria na loteria a data dela a minha a da alegria escorreria o macarrão talharim ou spaghetti nunca mais iria de croquete steinhaeger ou rolmops não mais me importaria com meu ibope junto a outras mulheres ou pesquisa de opinião entre os amigos e teríamos também dois meninos ou mais que pouco é para fracos e de nós um dia eles cuidariam mas agora nenhuma costa branca no meu peito nada de cabelinho curtinho coladinho a mim NADA nada de feirinha no domingo parque ensolarado ou um bom papo no café do teatro agora só a velha companheira a malfadada solidão o cão miúdo exu endiabrado a me tentar na escuridão o eco nas escadas de um prédio do centro a visão da incerteza o flerte com o perigo a insatisfação o medo o desperdício a ineficácia do sonífero sobre o criado-mudo e eu afirmo novamente que mudo mudo pra melhor ou permaneço na pior equação simples exata numa relação humana e a mudança passageira essa cruel dama será desta vez permanente nada mais de seguir em frente balançando na corda bamba a coisa agora é mais direta linha reta pra um futuro como dito um novo mundo onde tudo será único e hoje o absurdo a distância o abandono o teatro mágico ecoando pela casa a cara taciturna nos reflexos da sala a noite com seus colos efêmeros e non gratos as loucuras em pesadelos inexpurgáveis apesar do apanhador de sonhos colocado sobre a cama a choradeira recorrente não quero mais nada disso não quero mais a morte quero amar de novo a mesma mulher com outra sorte e se não der vou sofrer sofrerei sim a cada dia hora milésimo de segundo o jorge ben chovendo chuva e me lembrando que ela não vem toda de branco molhada linda e não despenteada que isso é impossível e por ela eu sairia à chuva à tempestade com muitos raios eletricidade por ela só por ela é que subiria subirei ao trigésimo-sétimo andar de um prédio em construção e subirei de andaime daria o sangue bateria em gangue mas no momento o presente desgraçado sente como se um braço lhe tivesse sido amputado como se um órgão vital lhe faltasse sente o ar tornar-se rarefeito a rara distração não cobrindo mais o baque a besta na porta tramando o ataque a leviandade me lembrando que ela deve ser sempre a prioridade e isso aprendido espero que não muito tarde a maturidade agora consumada esse werther em pêlo após o sofrimento desgostoso e ela a minha Charlotte minha Capuleto minha cara inteira inteira cara minha minha menina mulher moça bonita moça bonita musa longe de minha presença e nada ameniza isso nem mesmo o entorpecimento com o que quer que seja nem arrigo ou tezza ou Belchior ou Shakespeare ou o botafogo a cultura alemã desgraças cachaças que nem mais engulo as letras as imagens os sons a culinária os planos próximos lançamentos de minha lavra nada nada nada me chama de volta à vida nada me volve a verve virulenta e satírica um mestrado sem ela não fará sentido as viagens trarão fotos nas quais o espaço dela estará vago o samba um sábado desperdiçado nossos lugares permanentemente evitados a memória um museu de crueldades se ela não voltar prefiro “contrair” alzheimer a me lembrar de insignificâncias tão necessárias como um limão meio limão dois limões meio milhão porque estou triste tristinho mais solitário que um curitibano que um canastrão na hora que cai o pano e só sozinho mais sem graça que a top model magrela na passarela e a manga rosa pra mim não tem mais sumo a lua vai me deixar sob um barracão de zinco e ninguém jamais vai me encontrar se essa coisa toda não passar e sei que o tempo cura tudo sim mas a casca tá sempre lá prestes a sangrar a romper em lágrimas os olhos murchos do idiota pseudo intelectual que na verdade não tem nada pra dizer pois a razão não significa nada os sentimentos é que contam quando qualquer beijo de novela faz chorar quando todos os casais na rua parecem felizes e você passa solitário e distraído cabisbaixo e maldizendo blasfemando vociferando contra tudo e todos não é definitivamente não é o que quero para mim não quero chorar toda vez que algo xadrez aparecer toda vez que ouvir as palavras massoterapia design jacu e polaco barbudo ou um fusca azul aparecer ou vir um galho de cerejeira porque IF you feel like I feel please let me know that is real I Love you babe pretty babe com todas as breguices só ditas e escritas quando se está nesse meu estado eterno ad infinitum mesmo sabendo que as palavras que escrevo provavelmente não te farão amolecer o coração é-me fácil escrever mesmo mal como sempre faço e você sabe disso e não me importa que vocês meus 2 ou 3 leitores quase todos letrados peguem minhas incongruências minha falta de edição de texto minhas mudanças de pessoa aqui está um autor falando não um narrador esqueçam a baboseira de eu-lírico isso aqui não é literatura é a vida descrita em termos subjetivos e sei que muito está incompreensível apenas um leitor-modelo e amigo íntimo compreende essas minhas palavras não quero viver eternamente num filme de Bergman sempre chovendo e segunda-feira sei que o futuro é sempre agora e agora agora agora ficando cada vez mais barbudo por opção o pseudo intelectual não mais boêmio um artista careta perdido na escuridão dos pensamentos infeliz por um único motivo completamente alucinado pela incerteza da situação mas esperançoso pela retomada da parte da tua estrada no meu caminho porque quando você foi embora quis morrer de sede quase enlouqueci e ainda hoje me encontro nesse estado então esqueça que sairei porta afora estarei ao contrário sempre presente nem que seja mentalmente não quero esperar vinte anos pra lhe provar como sou outra pessoa mas se for preciso não vou hesitar minha bonita o amor essa tarântula de pernas cabeludas me invadiu a vida me entrou pela retina e me fez voltar à tona a acreditar na possibilidade de felicidade mesmo contra todas as prerrogativas você me acorrentou como PROMETEU e faz com que meu fígado seja devorado diariamente porém não mais pelo álcool não ficarei mais alto nem abobalhado só diante da maravilha da beleza que beleza Uh Uh UH musa moderna estilosa porto-seguro estrutura alívio em meio à floresta escura raio de sol partitura perfeita combinação atômica quark correto na mistura artéria principal espero sempre você me ligar lembrando sol e chuva chuva e sol mas não ouço nunca o telefone tocar não ouço o meu tim vibrar então não durmo e ouço TIM maia pra não enlouquecer e tentar sobreviver porque vida vida mesmo só existe com você por você e na tua presença vida daquele tipo do seu tipo no seu mundo uma vida de segurança participação companheirismo amizade afinidades extremas enfim uma vida de delícias só é possível afirmo reafirmo e provarei contra o que quer que seja que tal delícia só existe para mim com uma única pessoa e o nome dela é le-tí-ci-A...

4 comentários:

  1. Puxa vida, eu poderia antes mesmo chamar-lhe de andré santanna, porque simplesmente, pensando literariamente, talvez daí se deduza a bosta da coisa, o texto me lembrou o filho. segundo, meu chapa, este fluxo é bem a cara dele, mas aqui eu vejo um cara com o qual troquei algumas ideias - apaixonado? o que é real e não real?

    aquelabraço

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  2. é tudo real! infelizmente...
    apareça!
    e aquele nosso roteiro, o q vai ser?
    abs...

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  3. "literatura e arte boa ou ruim não amenizam o sentimento de dor que vem junto com a perda da mulher amada(...)renunciar ao meu antigo mundo(...)não mais me importaria com meu ibope junto a outras mulheres ou pesquisa de opinião entre os amigos"

    Isso é um rompimento com um modo de vida, e ao mesmo tempo uma reconciliação com coisas que você já foi. Nesse rumo acredito que a tendência é você ficar mais “coeso”. E do meu ponto de vista isso é bom.

    Mas como chato de plantão não posso deixar de mencionar uma coisa que me veio à cabeça enquanto lia. A história de Orfeu. Ele foi ao submundo buscar sua mulher, enfrentou os perigos e convenceu Hades a deixá-la voltar com ele. Mas o trato era que ele tinha que seguir pra fora do mundo dos mortos sem olhar pra trás, ela o seguiria e voltariam a ficar juntos quando saíssem. No caminho ele titubeou, olhou pra trás, e a mulher voltou pro Hades.

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  4. não olharei pra trás; já estou no Hades, o fundo do poço, e, a única saída é por cima!...
    continuando nas greguices (sei q vc gosta!), acrescento: furaria os olhos, tipo Édipo, pra não ficar tentado a olhar pra trás...
    o lance da "dor indizível", saca?

    abs...
    obr pela força; como sempre.

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