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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


11 setembro 2009

"um analista amigo meu disse que desse jeito não vou viver satisfeito..." Belchior em "Divina Comédia Humana" Paulo, meu amigo irmão, psicólogo particular, me enviou um e-mail, que transcrevo - na íntegra - logo abaixo. Valeu, mano...
From: quickstrike-@hotmail.com To: felipecinetvpr@hotmail.com Subject: Date: Wed, 9 Sep 2009 23:47:46 -0300
Eu escrevi isso como comentário no último post do teu blog, mas dai achei de conteudo muito intimo e preferi mandar por aqui. Até brother --------------------------------------------------------

Ao meu amigo irmão, mais artista do que eu, mais exigente do que eu, digo: Não siga. Não siga esse clichê dos artistas. Não há tanto clamour quanto alardeiam na dependência química e na loucura. Não me deixe sozinho do deserto da sanidade. Drogas servem como anestesia, analgésico, não consertam nem curam, só aliviam por tempo pré-determinado. Não queira viver dos aplausos que algumas excentricidades arrancam, é alimento fugaz, que não preencherá sua alma. Os seus heróis morreram de overdose? Quantas vezes já não ouvi nos bares, com entusiasmo e admiração filial, a história das duas garrafas diárias de vodka de Leminski? Heróis que corroboram para a destruição da própria saúde (física e mental pra quem faz distinção) e das dos que estão próximos e se importam com eles. Heróis que morrem por motivos decorrentes (e/ou agravados/acelerados) pelo abuso se substâncias. Ora hábitos como uma dieta de duas garrafas de vodka diária são admirados por quem assiste tudo de longe, às vezes com décadas ou séculos de distância, não por quem convive e tem verdadeiro apreço por quem pratica tais hábitos. Alguém feliz e realizado precisa de duas garrafas de vodka todo o santo dia? Não é aniversário, não é casamento, é todo dia. É, eu sou “careta” o bastante pra falar “feliz e realizado”. Acho destino melhor a perseguir, mesmo que no máximo só se chegue perto disso, do que virar o herói beberrão das gerações futuras, morto jovem por sua própria rotina e dono de obra emblemática para jovens revoltados ou metidos a alternativos meio século depois de sua morte passar despercebida, ou um século depois, um século e meio depois, ou...

Se não quer ser o velho e bom modelo do jovem rapaz ótimo, não seja, mas se você recusa esse esteriótipo apenas para seguir outro, o do artista chapado, não vejo grande vantagem. É trocar um sistema fechado por outro. Não envolve muita capacidade reflexiva, nem posicionamento ético e moral. Escolher um esteriótipo não tem nada de original, seja o de um playboyzinho, seja o do ébrio artista, não é nada original. E não é originalidade que busca? Não é a tal originalidade que ainda não conseguiu me definir satisfatoriamente que te faz perder o sono e rejeitar sua obra como Deus no dilúvio? Pois então, antes de uma obra original tenha uma vida original. Não precisa ser alcoolista ou adicto de qualquer outra coisa pra ser artista. Não siga, por favor, não siga.

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