Loading...

It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


01 junho 2009

coragem

I a todos aqueles que não me assistiram nesta terça-feira passada no II simpósio de letras da ufpr meus sinceríssimos agradecimentos pois eu mesmo não fui lá pra me assistir e creio que ficaram lá com aqueles trabalhos mentalmente masturbatórios tão próprios às academias e eu acho que academia é lugar pra malhar e eu não gosto de malhar e tudo isso me deixa muito cansado e quando eu tenho que escrever artigo me dá uma tentação imensa de abrir a janela do primeiro andar e pular o que no máximo me daria vontade de despular porque senão você vira ladrão melhor você não eu viro porque eu é que teria pulado porque você eu não sei mas eu moro no primeiro andar e é a casa da minha mãe onde eu não tenho uma cama e então eu durmo há três quatro meses no sofá da sala que é branco e eu sou branco e branco é clean e branco tá na moda e eu não sou modista nem metodista nem budista nem purista eu só fujo de apresentações formais de trabalhos que são coisas chatas e pedantes e que não levam a nenhum lugar já que não há onde ir e o inverno tá chegando e eu adoro o inverno e dia 04 tem show do arrigo e eu quero ir e como eu sou da classe talvez eu descole um VIP e isso sim seria bom ver o show do arrigo de graça seria um arrego e música teatro cinema literatura isso sim é que são coisas legais e não a academia não a coisa chata toda de subir as rampas do D. Pedro I até o ônzimo décimo nono andar porque eu gosto de caminhar e porque eu tenho medo de elevador e de altura e de ladrão e de crianças e se eu vejo uma criança eu corro sem olhar pra trás porque eu não apenas ando eu também corro e corra você também que não mora no primeiro andar eu moro na casa da minha mãe corra porque a polícia vem aí 397 e meio e eu não gosto desse nem de filmes com cachorros e com crianças porque crianças me dão comichões e elas são más porque elas pisam em plantas que são inofensivas e chutam o gato e o cachorro mesmo gostando de filmes de outras crianças e com animais e tudo isso é muito constrangedor porque crianças não precisam escrever artigos apresentar trabalhos publicar fazer mestrado ganhar mais e mais dinheiro pra não fazer nada e esperar o fim de semana chegar pra poder sentar no sofá e o da minha mãe onde eu durmo na casa dela no primeiro andar é branco e ligar a TV como se fosse uma fogueira e repousar os corpos cansados em frente ao fogo-tela mas eu prefiro ler não teses mas os livros do Cristóvão Tezza que foi meu professor e é um puta escritor e me deu aulas no décimo andar do D. Pedro I e ele subia de elevador porque ele é um cara manero e tem um gabinete lá em cima acho que no ônzimo andar mesmo e eu leio os livros dele mas não naquele prédio e sim no D. Pedro III alí no outro lado da rua na casa verde em frente ao DCE que nunca mais depois da última vez fez festa e na casa verde tem o seo zé e lá é bom porque só tem dois andares o que não é alto e não me faz temer e o seo zé é dez e ele sempre fala "tranquilo?" "mais uma?" o que faz qualquer brahmeiro dizer que ama o seo zé mas eu não sou brahmeiro nem bavareiro eu sou assim como o Tezza eu sou maneiro porque eu uso a manga da camisa bem rasgada como aquele maconheiro que virou evangélico e depois maconheiro de novo e eu não fumo maconha e eu não pretendo escrever coisas chatas ou dar aulas pra crianças todas chatas por causa de dinheiro e dinheiro corrompe as almas das crianças a minha e a do cristóvão também mas eu tenho medo e esqueci de dizer que é de viver rodando de bar em bar porque eu escrevo e gosto do leminski e o leminski era bêbado e tomava uma garrafa de vodka no bar e pedia outra garrafa de vodka pra levar e ele poetava e eu também poeto mas eu não punheto as mentes dos pobres colegas também punheteiros mentais da academia que eu quero queimar porque eu não quero legitimar o que penso com a masturbação mental de outros que pensavam por outros e por outros e voltamos lá na caverna e eu não gosto de caverna nem de esportes radicais e eu preciso acender a luz pra iluminar a mente e vomitar uns conceitos aqui porque tenho que entregar um artigo na terça-feira que é dia 02 e na quarta tem festa e na quinta tem show do arrigo e eu não apresento mais trabalhos formais em forma de masturbações mentais porque isso é muito virtual e sexo virtual não funciona e eu gosto é de música e do arrigo e de literatura e do Tezza e de andar saltar jogar brincar transar respirar transgredir e principalmente eu gosto de queimar as coisas tacar fogo seja na academia na igreja mas menos no bar porque o leminski ainda poderia estar por lá poetando bebendo se degradando um pouco mais a cada hora e eu não consigo também parar de escrever de beber de amar de viver intensamente como Cazuza menos dando a bunda e beijando homem na boca que isso eu não curto não mas de resto tá valendo adoidado e eu acho que tô pegando pesado no texto no contexto no engradado onde vem 24 e 24 é número de viado e eu tenho uma porção de amigos viados e eles são no geral muito engraçados e muitos deles fazem academia pra ficar sarados e pegar outros homens lá no Café do Teatro e eu ía vou muito ao Café do Teatro porque eu sou da classe e talvez role um VIP pro show do arrigo que eu não sei bem se vai ser show mesmo ou peça e se for peça será show de bola mas eu não sou homo eu sou artista heteroartistasexual o que é quase igual talvez dê na mesma só não faço igual Cazuza e eu queria cantar como ele e como arrigo mas eu sou muito desafinado como o Tom já que os tons sempre me fogem quando eu canto na casa da minha mãe no primeiro andar com sofá branco onde há quatro dias uso a mesma cueca azul e tudo mais que compõe meu vestuário uma calça preta de dez anos atrás quando ainda era adolescente e uma camiseta igualmente preta e por cima uma blusa azul também antiga e minhas enormes pantufas de tigre com garras ganhas de minha ex namorada mulher porque faz frio aqui em curitiba mesmo contra todas as indicações do tão na moda aquecimento global minhas unhas estão compridas minha barba igual a de estudantes de história filosofia humanidades em geral e eu não agüento mais o meu cheiro de covardia e acho que isso não é legal o que seria realmente legal é poder sair voando pela cidade por sobre os telhados apesar do meu medo de altura deixar-se levar e esquecer a angústia que me faz respirar mal como um cão asmático enrolado nas barbas de um gato preso dentro de um saco plástico e eu não sei o que fazer porque estou aqui sozinho roendo as minhas unhas de dez centímetros bebericando o meu vinho junto com solidão porque é difícil esquecer aquela desgraçada eu queria matá-la dentro de mim dentro de um bar na esquina da 24 de maio com a visconde de guarapuava e isso seria odioso horrível terrível porque fecharia o 14 bis e se alguém me visse se alguém aplaudisse e pedisse “bis”? como sempre pedem ao arrigo eu não poderia repetir pois as pessoas só morrem uma vez mesmo que sejam mulheres traidoras e que seus maridos namorados cornos-mansos tenham revólveres pecheiras adagas punhais não tão mansos assim ainda mais quando se encharca a cara no próprio 14 bis que é um bar e bares são pra tomar pra cumprir sua rotina seu horário seu horácio seo zé dona teresa parangolé come-come parceria e bec tudo numa seqüência revisitando a delinqüência fazendo a romaria topando com a putaria após o fechamento do comércio e encontraríamos o william o roberto jota alvício atrás de copos e garrafas tomando cerveja underberg conhaque cachaças desgraças que nós engoliríamos até retornarmos para casa e sofrer um pouco mais com toda essa pouca vergonha de uma sociedade capitalista e deveras corrompida por toda merda que nos habita a nós os seres humanos cada vez menos humanos e toparíamos com nossos instintos que poderiam servir para jogar tudo fora a noite no crepúsculo ou na aurora mas acredito que seria noite mesmo pois a noite é uma senhora uma puta de largos braços e pêlos protuberantes lhe descendo pelos rabos tão cansados de excretar coisas impuras como os viciados na fissura a procura de suas sementes transgressoras que proporcionam fugas efêmeras fugazes de toda essa loucura e isso eu já não quero não quero o pó o cheiro o veneno eu quero sim a estrela da manhã de todos os escritores e não a musa nojenta de homero eu quero é ter dinheiro pois é isso que as mulheres querem e delas eu quero aproveitar não todas mas a metade que habita as zonas daqui pra ali e de lá pra cá subir em várias camas vomitar nas suas coxas e nunca vir a casar porque damas são todas bobas e o que elas querem é levar pro altar caras idiotas que as ponham de quatro na cama na grama no sofá branco preto ou grená e mesmo no altar e que as transformem em putas menos dignas que aquelas de outros locais e então ficar em casa nos domingos ocupados com seus mimos enquanto eu saio a procura de aventuras na região do baixo guaira na noite vazia que existe pra gente se alegrar

2 comentários:

  1. Eu acho que agora você entendeu exatamente o que eu venho dizendo...
    Na verdade acho que você sempre entendeu mas agora...

    ResponderExcluir