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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


18 junho 2009

II a alegria na região do baixo guaira provém da hora do répi-auê quando os trampalhadores os estudantes os noiados e os transeuntes em geral reúnem-se pra bebemorar nos bares que ficam abarrotados de desocupados pedindo mais e mais bebidas destilados fermentadas ou tri-destilados ao gosto pessoal o que faz com que as mulheres dos casados e as namoradas dos namorados fiquem desesperadas com a possível separação dos fígados desses bem-aventurados já que o que elas querem é ficar em casa no domingo assistindo seriados filmes programas na TV a cabo que certamente vão continuar a engendrá-los nos círculos de marasmo que conhecem em seus trabalhos até o momento de chegarem ao cabo porque essa é a proposta do capitalismo que é selvagem e covarde mas eu não eu sou corajoso eu pularia do primeiro andar e depois retornaria pra cá pra dentro pro meu sofá branco enquanto elas querem é ganhar ganhar e gastar gastar porque dinheiro é papel que permite comprar quase tudo desde anéis de noivado ingressos pro show do arrigo ou pinga no boteco escritório de artista seja ele homo ou hetero porque na verdade é só produzir fazer botar pra frente gerar lucro e você aparece você é genial como a ex namorada mulher que tapou o sol no escritório da empresa usando dois panos brancos já que branco tá na moda e ela gostava de eu ser branco e os panos deixavam entre si uma fresta por onde o sol ainda passava por esse remendo tipo sol pela peneira e foram dois panos brancos mais pedaços de fita adesiva e ela resolveu a questão do capitalismo exacerbado então ligaram direto pro departamento pessoal e disseram que iriam pagá-la pela função de “agora falamos com você” e que agora ela era da chefe sua respiração era da chefe suas idéias eram da chefe sua alma era da chefe e a chefe gostava dela porque ela dizia ser brincalhona e gostar de crianças e ser fã do seriado house o que é interessante pois nós terminamos há quatro meses e desde então eu moro no primeiro andar da casa da minha mãe onde eu só quero dormir e dormir e dormir cada vez mais no sofá branco porque quando eu tô acordado eu fico pensando nela naquela desgraçada que eu nem amo mais mas é tudo uma cilada e eu só quero dormir pois nós não estamos mais juntos e quando eu durmo eu sonho com ela e lá estamos ainda juntos e felizes sem nada de meretrizes ou damas da noite estrelas da manhã ou musas nojentas e também quando eu durmo eu não bebo e se eu não bebo eu não surto eu apenas prossigo caminhando lentamente com o olho distraído no futuro no leito do rio os olhos abertos no escuro eu bem mais maduro feito o colin firth ou o steve zahn que são muito a minha cara e acredito sinceramente que eu e o amigo gui somos dois hipócritas e também somos apócrifos porque detratamos as mulheres ex namoradas e dissemos nada mais sentir por essas danadas mas nós mentimos nós somos maus e botequeiros e perdidos nas noites sujas da região do bg que nada tem a ver com bicho-grilismo apesar de haver alguns por nossos bares cativos como por exemplo o seo zé onde eu sou habitué ou o fingen perto do qual as gatinhas fazem seu trottoir e isso sim é que são mulheres de verdade que estão e estarão sempre a nos esperar realmente de braços abertos e outras coisas abertas e sem nada nos cobrar a não ser míseras folhas de papel criadas especialmente pra gastar e não pra acumular como fazem muitos capitalistas e/ou ignorantes como o personagem do suassuna que guardava riqueza velha dentro da porca de madeira mas isso tudo já é besteira nem sei o que digo se faço isso só pra impressionar pois os artistas pegam muitas mulheres boas más e anti-maniqueístas que podem freqüentar o balarama já que comida indiana é in e pessoas cool são vegetarianas e eu não consegui dominar uma delas que é por sinal muito bela mas muito esperta e não me amava então eu fujo de coisas sérias e me enrolo nas descobertas enquanto deveria enrolar-me nas cobertas das mulheres que me são caras e que me dão bola nesse inverno que tá chegando e eu adoro e é tudo cinza nessa cidade e eu sou covarde e eu gosto de ficar de varde porque sou artista e vagabundo confesso e nunca serei ninguém nada além de um bêbado que promete ir em vários lugares mas aparece somente em bares e não gosta de escrever artigos monografias de envolver-se em tramas curriculares pra legitimar sua imensa má-vontade com a humanidade decadente e deveras contraproducente que tem na hipocrisia sua mais valia de um sistema excludente e eu não gosto mesmo de crianças porque não quero deixar um pobre ser inocente vir a tona no espetáculo cruelíssimo sob essa imensa lona essa zona essa balbúrdia extremada sem sentido sem direção e ficarei menos infeliz se não legar a nenhuma boa alma nossa miséria que se inicia como tudo se inicia lá no início da jornada eu quero é ir-me embora pra pasargada conhecer fellini shakespeare kafka chopin e com eles tomar uma cervejada dar algumas boas risadas a respeito de nossa condição antevendo-lhes de antemão que caminharei sempre na contramão do mundo que tudo isso é muito absurdo e que nada nem ninguém possui razão que o melhor é deixar-se levar pelos sentimentos é amar é escrever é botecar é ir levando até quando Leminski nos chamar e eu quero mais é voar sem asas com imaginação levantar vôo e nunca mais pousar viver no mundo da lua ou no castelo rá-tim-bum na vila sésamo ou no sítio com a dona benta fazer de tudo percorrer o mundo a procura de beleza viver sem um puto mas com muitas putas na curva da estrada e lá fazer minha morada não ser nem um pouco careta queimar todas as baionetas e armas brancas e coisas de guerra que destroem nosso planeta não dar trela pra autoridades fazer delas motivo de chacota pois são todas igualmente hipócritas como tudo que há na vida como a inevitável dor da despedida como o menino que não ganha o carrinho nem o carinho na véspera de sua festa e eis que seguimos desde a infância levando na testa injeções bicudões e coisas nefastas eu quero é me afastar de fininho escapar para o meio da floresta e lá morar com os índios que não tem sofá nem primeiro andar muito menos trabalhinhos pra apresentar e sei que não quero nunca me aposentar nunca sentar confortavelmente numa poltrona e esperar a morte chegar eu quero ira ir a luta porque eu sou batuta como o Cristóvão tezza que sempre me testa com seus romances especialmente aquele do filho porque eu sou filho mas menos filho que os filhos de outros pais eu sou realmente encrenqueiro e bebo gole na garrafa empino como um pavão e não mereço não devo não vou repetir os erros daquele cidadão que foi um fraco um louco um grosseirão ignorante o vilão que sequer tocava violão comigo não eu sou doidão poeta realista pós-contemporâneo com vanguardas proclamadas em busca de compreensão paz obras e latas menos tragos de açafrão eu quero poder um dia chegar em casa e ser recebido com muita libido pela dona que permeia os meus sonhos não a ex não a caretona outra uma doida louca inteligente safadona uma CDF culta devassa e fiel que me prenda em suas entranhas e não me deixe beber fumar pegar no taco de sinuca para produzirmos juntos uma grande história que nos salvará das misérias mundanas e humanas porque este mundo está mesmo muito doido aviões caem de tempos em tempos vírus se propagam em pandemias coisas malucas que acontecem e eu aqui preocupado apenas com minha crescente queda de cabelos e em tacar fogo nas academias já que estou cansado desse conhecimento científico fundamentado academicista estou cansado de discutir kant nietzsche heidegger em conversas de bar estou cansado das teorias inesgotáveis nos impedindo de raciocinar estou cansado de embasar minhas idéias nas de outros pensadores de viver na bota daqueles que caminham de legitimar minhas opiniões meus pontos-de-vista chega de apoiar-me noutros ombros afim de enxergar mais longe como a princípio o Platão por mim tomado e Platão não era nada cuspamos em sua cara porque eu não quero nada disso eu quero libertar-me dos grilhões quero que enfim incinerem as academias que joguem fora as filosofias que me deixem viver de ideologias para que eu possa realmente pensar pois estou cansado estou cansado estou cansado e ainda não é hora de descansar

2 comentários:

  1. Achei essa parte mais "profunda"...

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  2. Nossa... vi você sentado escrevendo este texto e em of gritava cada frase, seus dedos como louco escrevendo compulsivamente... rsrs
    Muito bom Felipe!
    Foi a primeira vez que passei por aqui no seu blog... to levando boas impressões para voltar e ler mais.
    Beijão

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