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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


10 novembro 2008

O FUTURO DO CINEMA

Vivemos numa era em que a produção audiovisual se encaminha para nichos de mercado, e o cinema, como atividade audiovisual, também será uma atividade de nichos, no longo prazo. Tomando-se como dado que na veiculação na mídia cinema e em outros meios, o cinema sempre perde, essa mídia se vê na necessidade de criar diferencial em relação aos outros meios. Atualmente, o cinema baseia-se em dois atrativos/subsídios em seu favor: 1.º) a sua evidente qualidade superior; e 2.º) as carências de veiculação (no Brasil, o filme estréia na janela “Cinema”; após cerca de 150 dias chega ao vídeo; após 280 dias chega na TV a cabo; e apenas após 2 anos, estréia na TV aberta). Isso posto, é preciso salientar que a indústria cinematográfica segue um sistema de comercialização, e o cinema é o patinho feio desse mesmo sistema. Na mídia cinema, o lançamento é o diferencial, a vitrine do sistema. Portanto, no futuro, provavelmente haverá detectores de metal nos cinemas, para evitar a pirataria – o que acaba com o diferencial de ineditismo do cinema, enquanto vitrine do produto. Acredito que o cinema tende a caminhar para a “reconstrução” da casa dos espectadores, numa espécie de reprodução do ambiente caseiro – o que vem sendo apontado pelas novas salas (Multiplex) européias. Dado que os EUA respondem por 80% da produção mundial, e que com o advento do vídeo houve uma explosão desses núcleos, o que viria a seguir, o próximo passo nessa caminhada em direção ao futuro, seria a solução da distribuição e a proliferação da exibição digital. De acordo com Luiz Gonzaga de Luca, do Grupo Severiano Ribeiro, “a tecnologia de projeção digital está solucionada. Podemos ter projeções com qualidade igual ou superior ao 35mm”. E hoje vivemos exatamente essa passagem para a exibição digital (vide o sistema Rain Networks). Segundo Joe Ortiz (diretor-geral da Fox Internacional), a previsão para o fim do 35mm é de 5 anos, nos EUA, e de 8 a 10 anos, no Brasil. Existem apenas 2 fabricantes de película no mundo: a Kodak e a Fuji. Estima-se que serão gastos de 12 a 15 bilhões de dólares na transição do cinema analógico para o digital. Enquanto a resolução da película 35mm é de 4,8K (as cópias brasileiras têm 1,2K ou 1,3K), e considerando-se que o olho humano percebe um máximo de 2K de resolução, é fato que estaremos muito bem adaptados, do ponto de vista fisiológico, aos 2K ou 4K (2048X1080 ou 4096X2160) do sistema digital. O que talvez possamos destacar no futuro do cinema em relação ao cinema tradicional que conhecemos são as experiências com os filmes em 3D. Já para 2009, são prometidas 15 produções nesse formato (por exemplo, “Avatar”, o novo “Titanic”, de James Cameron), uma tecnologia já desenvolvida. E também já está em desenvolvimento projetores com laser para não precisar dos famosos óculos 3D. No entanto, mídias caseiras para reprodução do 3D demorariam 15 anos para se tornar realidade. Outro lado para o qual se encaminha o cinema é a aposta nas exibições de eventos ao vivo – shows, esportes, debates. Tudo isso atrairia ainda mais pessoas à sala escura, na qual nenhuma distração consegue concorrer com a fonte de luz projetada na tela branca. O cinema seria o espaço da interatividade, de emocionar-se junto a outras pessoas que nem sequer se conhecem, pois a experiência coletiva é insubstituível e continua a entusiasmar os mais diferentes seres humanos, nos mais recônditos cantos do planeta.

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