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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


22 novembro 2008

CINEMA HOLLYWOODIANO CONTEMPORÂNEO

Depois da crise nos anos 1960, o cinema hollywoodiano consegue se renovar e fazer filmes muito mais ousados do ponto de vista estético, período que ficou conhecido pela expressão “renascimento hollywoodiano” ou American art film – tendo em John Cassavettes seu diretor mais importante -, e que teve uma duração um tanto efêmera, sendo logo destronado pelo blockbuster atual - iniciado por Tubarão (75) e Guerra nas Estrelas (77). Isso dito, foi cunhado outro termo, Nova Hollywood, já que Hollywood estava outra vez “renascendo” pra valer, e acabou por encontrar no blockbuster o grande pilar da produção dos últimos 30 anos; High concept, por sua vez, é um termo que a indústria usava pra falar desses filmes cujas narrativas podem ser resumidas em duas ou três linhas, e que sua idéia geral possa ser transposta para um cartaz e dar o recado ao espectador a respeito do conteúdo, da história do filme. Justin Wyatt, pesquisador, explorou como seria esse tipo de filme, com o intuito de pensar como seria esse novo blockbuster. O primeiro elemento importante dentro desse novo contexto que surgia é a conglomeração da indústria da mídia. Os estúdios foram comprados e passaram a integrar grandes corporações de mídia, com empresas em vários setores midiáticos (cinema, canal de TV aberta, de TV fechada, gravadora, editora, provedor de Internet etc). Esses conglomerados surgem e, logo após do final dos anos 70, temos uma mudança tecnológica fundamental: o VHS. Já havia a TV como janela de exibição de cinema e agora vinha juntar-se a ela esse outro mercado, o do vídeo doméstico; isso acaba por se constituir nos chamados “mercados” ou “janelas” secundários do cinema (o que logo faz com que o circuito primário das salas de cinema entre em declínio). Esse novo cenário tecnológico e econômico que se impõe opera em estreita sinergia, ou seja, atua em parceria, em cooperação entre as várias janelas/indústrias. Um produto que é feito para o cinema acaba gerando faturamento, inicialmente, nas salas de cinema, e depois, nas janelas secundárias. Além disso, ele gera produtos e negócios conexos, apêndices ao filme em si (trilha sonora, relançamento da história em quadrinhos, camisetas, canecas, brinquedos, games etc). Paradoxalmente, eis que os filmes seguem, apesar da notável perda de público, sendo lançados na janela cinema, pois ela é a vitrine da cadeia de exploração do produto fílmico: um filme que vai “bem” no cinema abre caminho para as outras janelas de exibição. Os blockbusters, então, passaram a ser lançados simultaneamente em milhares de salas de cinema espalhadas pelo planeta, caracterizando o lançamento por saturação, em termos de número de salas e em termos de publicidade. Outro ponto que se percebe, a partir dos anos 70, é a diminuição da faixa etária, a juvenilização do público no circuito primário. O filme high concept, que é caracterizado pela delimitação da narrativa com vistas ao espetáculo, utiliza-se de ícones visuais e de trechos para serem exibidos, em promoção ao marketing dos filmes. Segundo os críticos, a narrativa que era mais sofisticada, mesmo no que se refere aos padrões do cinema clássico narrativo hollywoodiano, empobreceu demasiadamente. Aquela grande dramaturgia hollywoodiana foi muito simplificada e os filmes foram transformados em espetáculos cheios de efeitos especiais e ação. Com base nisso, pode-se afirmar que os novos blockbusters (sustentáculos da indústria hollywoodiana), concentram grande quantidade de capital na feitura de poucos filmes, e apostam no “certo” para tentar uma garantia de sucesso, de retorno financeiro e lucros exorbitantes. Segundo alguns estudiosos do assunto, a linguagem teria mudado: estaria sendo usada uma estética “MTV”, publicitária, e que em decorrência disso, em muitas vezes, teria chegado a abandonar as “regras” da narrativa clássica. Porém, de acordo com David Bordwell, as regras ainda estão lá, com seus princípios didáticos, que visam a não confundir/desorientar o espectador. A maioria dos estudiosos afirma que o high concept seria uma superação do clássico, ou seja, um “pós-clássico” do cinema hollywoodiano. Contudo, ainda segundo Bordwell, contrário àquelas idéias, o que realmente é típico de Hollywood é a “continuidade intensificada”: a aceleração da montagem, a ênfase nos primeiros planos, primeiros planos individuais, muito plano e contra-plano e movimentação de câmera. Teríamos, enfim, no geral, uma dramaturgia mais simplificada. - MASCARELLO, Fernando. Cinema hollywoodiano contemporâneo. In: MASCARELLO, Fernando (org.) História do cinema mundial. Campinas: Papirus, 2006.

2 comentários:

  1. Guerras nas Estrelas!
    Guerras nas Estrelas!
    Guerras nas Estrelas!
    Guerras nas Estrelas!
    Guerras nas Estrelas!

    Estética MTV já não curto muito.

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