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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


12 novembro 2008

CARTA DO DESESPERO N.º 5

Eu te amo e estou só. Você me ama, mas me engana. Mente. Trai. Não sei o que em você que me atrai, mas sinto que estou perdido. Há anos você trapaça, me faz de bobo. E o que me mantém ligado a você? Amor. Dor. Um sentimento de posse, que é recíproco. Já não aguento mais te amar e te odiar. O peso de minha balança não se cansa de oscilar. Quando o que mais quero é uma coisa ou outra; ver minha alma estabilizar. Não sou nenhum idiota. Sua práxis por vezes me rotula. Tola! Sou teu anjo bobo-alegre; há muito não lhe faço mal. Meu conhaque nunca foi tão sem graça. Ameaça? Na verdade só os paspalhos que com ti convivem. Quando não deveriam!Por que trocas um poeta por simples inergúminos? É a paixão por rápido dar-lhes a prole? (Offspring na cidade). Este teu mal-amado escriba, que nunca realmente por você é lido, sofre, chora, cai em desgraça. Sei que pensas: "O azar é dele! Que ele permaneça naquela Casa Verde; aqui, 14 bis, é que me vou perpetuar!". Ah... minha pobre criança, não me faça repudiar. Se o que criticas é o meu ser-artista, isso tu não me podes arrancar. Jamais! Sou fiel. A ti e à arte. E nada me faz reclinar. Minha dica se não me compreende? Esquece-me, procura me ignorar. Eu, por minha vez, sempre me farei presente. No teu ombro, nos teus sonhos, no teu lar. Eu sou aquele, afinal, que você sabe. Esquecido pelo mundo prático, que primeiro sucumbirá. Porém comentado, abençoado, aquele que o infinito irá lembrar.

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