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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


09 agosto 2008

Mais solidão...

O que é solidão?
"O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) afirma em 'Ser e Tempo' que estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte. Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. A partir daí podemos construir dois estilos de vida diferentes: o autêntico e o inautêntico." "O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. Desse modo não assume responsabilidade sobre as suas escolhas. Não aceita correr riscos para atingir seus objetivos, nem se sente responsável por sua existência, passando a buscar amparo e segurança nos outros. Com isso abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal. Permanece na vida sendo um coadjuvante em sua própria história. Você já pensou nisso?" "Sendo autêntico você assume a responsabilidade por todas as suas escolhas existenciais, aceita correr os riscos que forem necessários para atingir os seus objetivos, e passa a encontrar amparo e segurança em si mesmo. Com isso, apropria-se da existência, torna-se indivíduo, torna-se autônomo, torna-se dono da sua própria vida, dono da própria existência, torna-se senhor de si mesmo. Você se percebe sendo o senhor de si mesmo?" Angústia "A angústia provocada pela solidão é o sentimento que muitas pessoas experimentam quando se conscientizam de estarem sós no mundo. É o mal-estar que o ser humano experimenta quando descobre a possibilidade da morte em sua vida, tanto a morte física quanto a morte de cada uma das possibilidades da existência, a morte de cada desejo, de cada vontade, de cada projeto." "Cada vez que você se frustra, que você não se supera, que você não consegue realizar seus próprios objetivos, você sente angústia. É como se você estivesse morrendo um pouco." "Muitas pessoas sentem dificuldade de estarem a sós consigo mesmas. Não conseguem viver intensamente a sua própria vida. Muitas vezes elas acreditam que o brilho e o encantamento da vida se encontram no outro e não nelas mesmas. Sua vida tem um encantamento, um brilho, algo de especial porque é sua, apenas sua. Independentemente do que você esteja fazendo, sua vida pode ser intensa, prazerosa, simplesmente pelo fato de ser sua e por você ser único. Cada um de nós pode ser uma pessoa especial para si mesmo." Solidão: a Condição do Ser "A solidão é a condição do ser humano no mundo. Todo ser humano está só. Esta é a grande questão da existência, mas não significa uma coisa negativa, nem que precise de uma solução definitiva. Ou seja, a solução não é acabar com a solidão, não é deixar de sentir angústia, suprimindo este sentimento. A solução não é encontrar uma pessoa para preencher o vazio existencial, não é encontrar um hobby ou uma atividade. A solução não é se matar de trabalhar e se concentrar nisso para não se sentir sozinho. Também não é encontrar uma estratégia para driblar a solidão. A solução é aceitar que se está só no mundo. Simplesmente isso. E sabendo-se só no mundo, viver a própria vida, respeitar a própria vontade, expressar os próprios sentimentos, buscar a realização dos próprios desejos. Quando se faz isso, a vida se enche de significado, de um brilho especial." "O objetivo não é fingir que a solidão não existe, não é buscar a companhia dos outros, porque mesmo junto com os outros você está e sempre será solitário. O outro é muito importante para compartilhar, trocar. O outro é muito importante para a convivência, mas não para preencher a vida, não para dar sentido e significado à uma outra existência. A presença do outro nos ajuda, compartilhando, mostrando a parte dele, dando aquilo que não temos e recebendo aquilo que temos para dar, efetivando a troca. Mas o outro não é o elemento fundamental para saciar a angústia ou para minimizar a condição de solidão." "Cada um de nós nasceu só, vive só e vai morrer só." "A experiência de cada um de nós é única. O nascimento é uma experiência única, pois ninguém nasce pelo outro. Da mesma forma que a morte é uma experiência única, pois ninguém morre pelo outro. E a vida inteira, cada momento, cada segundo da existência, é uma experiência única, pois ninguém vive pelo outro." Psicólogo Jadir Lessa Psicoterapeuta ExistencialAutor dos livros Solidão e Liberdade e A Construção do Poder Pessoal e de diversas palestras em CD Solidão Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem. A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensíveis e em todos quantos enfrentam problemas para um intercâmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável. Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueles outros que se consideram marginalizados ou são deixados à distância pelas conveniências dos grupos. A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benefício de outrem. O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consideração e respeito ou conceda ao próximo este apoio, que gostaria de fruir. A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o panegírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo em que sepulta os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo. O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira. O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, antes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças à rapidez com que devora as suas estrelas. Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em estúdios artificiais. Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solidão, de desprezo por si mesmo. O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado. Atirado à solidão. Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentado, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictícia. A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão. O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lidimas aspirações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição. A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo. Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente. Campeia, assim, o "medo da solidão", numa demonstração caótica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equilíbrio. O silêncio, o isolamento espontâneo, são muito saudáveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto-aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior. O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda. Os campeões de bilheteira, nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios, cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão. Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantêm sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos. A neurose da solidão é doença contemporânea, que ameaça o homem distraído pela conquista dos valores de pequena monta, porque transitórios. Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crianças em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais. O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado. A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar. O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar à confiança nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui. Mesmo Jesus, ao sugerir o "amor ao próximo como a si mesmo" após o "amor a Deus" como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se, de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocupação de receber resposta equivalente. O homem solidário, jamais se encontra solitário. O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado. Possivelmente, o homem que caminha a sós se encontre mais sem solidão, do que outros que, no tumulto, inseguros, estão cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem fé interior. A fé no futuro, a luta por conseguir a paz íntima - eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja. Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco(Texto extraído da obra "O HOMEM INTEGRAL" - capítulo 1) Solidão também gera aversão em alguns TATIANA DINIZda Folha de S.PauloEnquanto alguns investem nos benefícios dos longos momentos de isolamento, outros fogem deles como o diabo da cruz.A apresentadora de TV Tamy Simas, 24, por exemplo, afirma que não consegue ir ao cinema sozinha. "Ninguém merece, né?", dispara.Ela conta que já desistiu de comer ao chegar sozinha na porta de um restaurante lotado. Sentar numa praça de alimentação desacompanhada, nem pensar. "Fico com a impressão de que todo mundo está reparando que estou sozinha e achando horrível. Sei lá, acho deprimente. Não me sinto bem."Tamy conta que vem de uma família grande, com quatro irmãos. "Na hora de comer, todo mundo se sentava à mesa. Não consigo fazer nada sozinha. Peço para a Vera, minha empregada, para me fazer companhia. Acho que sou doente, não consigo passar mais de dez minutos sem falar com ninguém. Sinto-me muito triste quando estou desacompanhada", revela.Em casa, para almoçar ou jantar, é Vera quem socorre também. "Peço a ela que se sente um pouquinho à mesa enquanto almoço ou janto, que converse comigo. Se não tiver companhia, não consigo comer", explica.A programadora Regina Clélia do Rosário, 40, também não aprecia viagens ou qualquer programa sem uma companhia. "Faço o possível para ter muita gente perto de mim. Gosto de grupos, gosto de receber atenção. Para mim, o pior da solidão é não ter com quem compartilhar os momentos bons ou ruins. Preciso ter a visão de testemunhas para tudo", conta.No entanto ela afirma ter feito a opção de permanecer solteira. "Não tenho pressa para encontrar alguém e não vou ficar com qualquer pessoa. Como tenho muitos amigos, até me falta um pouco de tempo também", justifica.Já a assistente de marketing Isamara Cardoso Pimentel, 32, diz se sentir dividida entre gostar ou não de estar só. "Moro só e, aos domingos, bate a sensação de solidão, fico querendo alguém por perto. Então comecei a namorar."Quando acompanhada, entretanto, Isamara diz sentir falta dos seus momentos sozinha. "Atualmente meu namorado costuma passar os fins de semana comigo, mas, às vezes, fico desejando estar sozinha em casa", diz."Não sei se isso é um problema, até já tentei procurar um psicólogo para tentar entender. É uma dualidade muito forte: se estou só, quero alguém por perto; e, se há alguém por perto, quero ficar só", resume.
APRENDIZADO O psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate, autor de "Ensaios sobre o Amor e a Solidão" (MG Editores, 272 págs., R$ 44,90), diz não acreditar na tese de predisposição genética para o sentimento de solidão. Ou, pelo menos, não defende que esse seja o aspecto mais relevante para a discussão do tema hoje."A idéia de que é genético sugere que não pode mudar. Ainda que exista um componente genético à manifestação do sentimento, há uma questão de aprendizado. Na verdade, tornou-se cada vez mais necessário aprender a conviver com a solidão", observa.Na opinião do especialista, o mundo atravessa um momento histórico em que a pressão por uma vida acompanhada está deixando de existir. "Cada vez mais as pessoas estão se encaminhando para existências solitárias. Desaprendeu-se bastante a conviver a dois, por exemplo, e assume-se a opção de ficar solteiro. É um fenômeno social, a humanidade está se adaptando à solidão", analisa."Basta olhar ao redor para comprovar isso. As pessoas andam sozinhas, dançam sozinhas. A mulher solitária de hoje não é mais uma solteirona trancada num quarto de pensão. Tudo está mudando."Para ele, a capacidade de conviver bem com a solidão tem a ver, principalmente, com maturidade. "E só amadurecemos nos expondo a situações de dor. Isso aumenta nossa tolerância à frustração", explica.Para ele, as situações de rompimento afetivo servem de exercício a esse amadurecimento. "Há uma confusão muito grande. As pessoas misturam a dor das rupturas amorosas ao sentimento de solidão --não são a mesma coisa. Um momento de ruptura amorosa é particularmente doloroso porque nos leva a experimentar sensações de desamparo. Porém, quando a separação se concretiza, o que resta disso é uma sensação de incompletude que é característica do ser humano", observa.Gikovate afirma ainda que quem convive bem com essa incompletude está mais apto a relacionamentos saudáveis. "Quem suporta ficar bem sozinho estabelece melhores vínculos afetivos. São aqueles para quem, realmente, estar sozinho é sempre melhor do que estar mal acompanhado." Solidão pode ser genética, diz estudo; há quem opte por ela TATIANA DINIZda Folha de S.PauloCeia de Natal. Confraternização. Troca de presentes. Festa de Ano Novo. Brinde. Beijos e abraços. Repleto de ritos sociais, o encerramento do ano é uma época que reforça o sentimento de solidão em muita gente. Até mesmo quem diz gostar de viver só durante o ano inteiro está sujeito a ser tomado por um desconforto inesperado ao perceber que ainda não sabe com quem compartilhará o peru do dia 24 ou o champanhe do 31. E mais: o golpe de solidão que chega com a última página do calendário não é exclusividade de quem está, literalmente, sozinho durante as datas festivas. Há aqueles que, em meio aos ruidosos encontros familiares ou empresariais, mal conseguem disfarçar o mal-estar e a sensação de inadequação.Isolados ou inseridos em bandos eufóricos aos quais sentem não pertencer, os solitários de final de ano estão espalhados pelo mundo. Os norte-americanos apelidaram esse fenômeno comportamental de "holiday blues" (depressão de fim de ano) e monitoraram que, no período, aumentam as taxas de suicídio no país.Um estudo conduzido desde 1991 por pesquisadores das holandesas Universidade de Amsterdã e Universidade Vrije e da norte-americana Universidade de Chicago vem observando a incidência de solidão em pares de gêmeos holandeses a fim de investigar a possibilidade de predisposição genética ao sentimento.O trabalho define a solidão como "o centro de uma constelação de estados socioemocionais, que incluem auto-estima, humor, ansiedade, raiva, otimismo, medo ou negatividade, timidez, habilidades sociais, suporte social, insatisfação e sociabilidade". De acordo com os dados, a hereditariedade do sentimento é de 48%.Episódios de exclusão social, ostracismo, rejeição, separação e divórcio estão entre os potenciais acentuadores da solidão, dizem os pesquisadores. O grupo estudado foi formado por 8.387 gêmeos, sendo 3.280 homens e 5.107 mulheres. No que diz respeito às diferenças entre os sexos, as mulheres se revelaram mais suscetíveis a manifestar a herança genética, sentindo-se solitárias com mais freqüência do que os homens.
GENÉTICA E INFLUÊNCIA
A pesquisa aponta ainda que a manifestação dessa predisposição genética a se sentir só pode ser atenuada ao longo da vida por influência do ambiente e que as contribuições do meio tendem a apresentar impacto de maior dimensão sobre os adultos do que sobre as crianças.Por outro lado, a característica hereditária pode ser acentuada na idade adulta quando o indivíduo tende a organizar sua vida mais de acordo com o seu genótipo e menos de acordo com as demandas do meio, diz o estudo."Quando mais jovem, é comum que os outros influenciem mais sua vida. Isso pode diminuir com a idade. Alguém que tem um senso de isolamento social, por exemplo, pode buscar situações de vida que o permitam expressar essa predisposição", explicou à Folha John Cacioppo, professor do centro de neurociência cognitiva e social da Universidade de Chicago e um dos pesquisadores responsáveis pelo levantamento.
ESTILO DE VIDA
A hipótese é realidade no estilo de vida adotado pelo músico catarinense Carlos Careqa, 44, radicado em São Paulo há uma década. Ele diz que sempre teve uma tendência a gostar de ficar só. "Nunca apreciei andar em turmas, nem na adolescência. Odeio ir a um bar e sentar em mesa grande. A verdade é que as melhores coisas não são feitas em grupo", resume. Careqa comenta que, enquanto muitos encaram a solidão com receio, ele sempre a apreciou. "Minha solidão é um presente. Tenho amigos. Sou solitário, mas não me sinto sozinho."Careqa organizou sua vida a fim de respeitar a predisposição a estar só. Depois de viver um casamento de 18 meses, mora sozinho há 15 anos. "Deus me livre de casar de novo. Sou uma pessoa difícil. Se a visita chega e tira o telefone do lugar, eu já fico achando ruim", comenta. "Adoro chegar em casa e não ter ninguém, não ter família nem muita obrigação", diz. "Não sou panfletário da solidão, mas, mesmo quando me envolvo com alguém, começo a desejar que a pessoa vá embora quando ela passa a exigir demais. É o meu jeito."A vida solitária serve de inspiração a letras como as de "Ser Solteiro" ("Só eu mesmo faço o meu tipo/ Tenho um kit de automassagem/ Tenho livros de auto-ajuda/ Viajo com uma só passagem/ Meu modus vivendis ninguém muda") e "São Solidão" ("Farelo de tristeza/ Multiplica a divisão/ Bandejas de vontade/ Tira-gosto de ilusão/ A sós com a humanidade/ No parapeito da aflição").O músico enfatiza que nem tudo são flores na vida de quem opta por estar sozinho. "Há momentos de tristeza também. Horas em que você quer ver alguém, quer companhia para assistir a um filme. Outro dia viajei para Buenos Aires só e fiquei desejando que tivesse alguém lá comigo", conta.Por seis anos, Careqa passou seus Réveillons sozinho. "Ia para o apartamento de um amigo que ficava vago no Rio de Janeiro. Na hora da virada, caminhava até a praia. Dava um abraço em mim mesmo e me desejava feliz Ano Novo. Era ótimo, tudo de que eu precisava era estar comigo naquele momento." Caminho solitário muitas vezes é opção TATIANA DINIZda Folha de S.PauloFoi a busca por reflexão que levou o empresário Denis Rezende, 29, a descobrir o que se transformaria em uma de suas maiores paixões: peregrinar sozinho. "Eu era muito acelerado e vivia tendo problemas de gastrite, pressão. Estava atravessando uma época de muitos problemas e comecei a buscar espiritualidade. Foi quando decidir fazer o caminho de Santiago", relata.Antes, Rezende já tinha feito uma caminhada mais curta --o caminho inca até Machu Pichu, que durou três dias. Já para percorrer a trilha de peregrinação espanhola, caminhou durante um mês desacompanhado."Os primeiros dias são realmente difíceis. Andando sozinho e calado você começa a acessar suas zonas de sombra. Todos os problemas que influenciam seu dia-a-dia vêm à tona. Todas as suas questões obscuras de relacionamento, todo o seu egocentrismo, tudo o que você passou e não aceitou ao longo da vida lhe acomete. Eu chegava a acordar deprimido e aflito", lembra.Ele conta que o desconforto do enfrentamento consigo mesmo durou cerca de uma semana. "Depois de vários dias superdimensionando qualquer dor física e chorando por qualquer coisa, passei a acordar subitamente disposto. Dormia às 20h e levantava antes do sol, muito feliz por ter de andar", conta. O empresário concluiu o caminho colecionando episódios de tempestade, frio e muitas horas sem sequer ver outro ser humano.Depois do caminho de Santiago, Rezende fez outras peregrinações. No Brasil, percorreu o caminho da fé, que liga as cidades de Águas da Prata e Aparecida do Norte, por 12 dias. "Esse foi o de maior provação porque a infra-estrutura é muito precária. Um amigo tentou me acompanhar, mas acabou desistindo, e eu segui", diz."Mudou minha vida. Hoje sei que preciso de momentos de isolamento. As pessoas estão desacostumadas a ficar sozinhas, a usufruírem da própria companhia. Nas suas inseguranças, ficam buscando apoio de todo mundo, perguntando o que fazer. Mas as respostas estão mesmo dentro de cada um. Aprendi que esse é o meu melhor modo de acessar minhas respostas. Freqüentemente vou à casa que tenho em Atibaia e caminho 20 km acompanhado apenas do meu cachorro", diz.A próxima peregrinação solitária está agendada para janeiro, quando ele percorrerá o caminho do sol, que liga Águas de São Pedro a Santana do Paranaíba, em São Paulo.Em casa, o espaço do isolamento é garantido também. Rezende tem um quarto em que costuma parar para "processar os dados". "Tenho um quarto em que estão meu computador e meus livros. Faço uma parada por lá quase diariamente. Por um tempo foi difícil para a minha mulher e para a minha filha entenderem minha necessidade de estar sozinho. Mas, após anos, elas acabaram se acostumando. Hoje convivem bem com isso, compreendem que aquele é meu espaço de reflexão e não chegam perto", afirma.
AUTOCONHECIMENTO
A gerente Maristela Amaral, 26, também fez das viagens internacionais sozinha atalhos para o autoconhecimento.Em 2002, foi visitar a Austrália sem companhia nenhuma. A idéia era ficar por lá durante quatro meses --acabou passando dois anos. Há três meses, fez outra jornada solitária. Dessa vez o destino de Maristela foi a América Latina."Acho que essas viagens são fundamentais para que eu aprenda mais sobre os meus próprios limites. Quando você está sozinho em outro país, começa inevitavelmente a se perguntar quem é; o que é capaz de fazer pelas pessoas e o que não é de fazer; até onde consegue dividir o que é seu, por exemplo."Ela conta que, obviamente, há uma série de dificuldades também. "Tem horas em que a insegurança te toma de assalto, momentos em que a solidão vem com muita força. Estava viajando pelo Peru e pela Argentina sem planos e comecei a sentir muita falta do meu pai, que morreu há um ano. É muito contato consigo mesmo, falta alguém com quem vibrar ou com quem dividir as coisas boas e ruins que vão acontecendo. Ali é você com suas emoções", descreve.Maristela diz que pretende repetir a dose. "Agora me acostumei. Quero fazer outras viagens. Tenho férias em períodos do ano em que as pessoas estão geralmente ocupadas, então acaba sendo unir o útil ao agradável." Não há Felicidade Solitária É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas mi­sérias comuns que levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil fe­licidade. Um ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de nós faz uma idéia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mes­mo, de que desfrutaria ele, na nossa opinião? Estaria só, seria mi­serável. Não posso acreditar que aquele que não precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama na­da se possa sentir feliz. Jean-Jacques Rousseau, in 'Emílio' O Solitário O solitário leva uma sociedade inteira dentro de si: o solitário é multidão. E daqui deriva a sua sociedade. Ninguém tem uma personalidade tão acusada como aquele que junta em si mais generalidade, aquele que leva no seu interior mais dos outros. O génio, foi dito e convém repeti-lo frequentemente, é uma multidão. É a multidão individualizada, e é um povo feito pessoa. Aquele que tem mais de próprio é, no fundo, aquele que tem mais de todos, é aquele em quem melhor se une e concentra o que é dos outros. (...) O que de melhor ocorre aos homens é o que lhes ocorre quando estão sozinhos, aquilo que não se atrevem a confessar, não já ao próximo, mas nem sequer, muitas vezes, a si mesmos, aquilo de que fogem, aquilo que encerram em si quando estão em puro pensamento e antes de que possa florescer em palavras. E o solitário costuma atrever-se a expressá-lo, a deixar que isso floresça, e assim acaba por dizer o que todos pensam quando estão sozinhos, sem que ninguém se atreva a publicá-lo. O solitário pensa tudo em voz alta, e surpreende os outros dizendo-lhes o que eles pensam em voz baixa, enquanto querem enganar-se uns aos outros, pretendendo acreditar que pensam outra coisa, e sem conseguir que alguém acredite. Miguel de Unamuno, in 'Solidão' A Solidão em Perspectiva É exactamente porque não há solidão que dizes que há solidão. Imagina que eras o único homem no universo. Imagina que nascias de uma árvore, ou antes, porque eu quero pôr a hipótese de que não há árvores, nem astros, nem nada com que te confrontes: supõe que o universo é só o vazio e que tu nascias no meio desse vazio, sem nada para te confrontares. Como dizeres «eu estou sozinho»? Para pensares em «eu» e em «sozinho» tinhas de pensar em «tu» e em «companhia». Só há solidão «porque» vivemos com os outros... Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar' Felicidade Solitária A solidão concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar só consigo mesmo; segundo, a de não estar com os outros. Esta última será altamente apreciada se pensarmos em quanta coerção, quantos estragos e até mesmo quanto perigo toda a convivência social traz consigo. «Todo o nosso mal provém de não podermos estar a sós», diz La Bruyère. A sociabilidade é uma das inclinações mais perigosas e perversas, pois põe-nos em contacto com seres cuja maioria é moralmente ruim e intelectualmente obtusa ou invertida. O insociável é alguém que não precisa deles. Desse modo, ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranqüilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade, é ameaçada por ela e, portanto, não pode subsistir sem uma dose significativa de solidão. Os filósofos cínicos renunciavam a toda a posse para usufruir a felicidade conferida pela tranqüilidade intelectual. Quem renunciar à sociedade com a mesma intenção terá escolhido o mais sábio dos caminhos. Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida' Quem não Ama a Solidão, não Ama a Liberdade Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas. Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas acções, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo. Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre. A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é. Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança freqüente de seres heterogêneos causa um efeito incômodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com freqüência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza. Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em óptima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como conseqüência, estes costumam esquivar-se da sociedade, Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida' Os Solitários No solitário, a reclusão, ainda que absoluta e até ao fim da vida, tem muitas vezes por princípio um amor desregrado da multidão e tanto mais forte do que qualquer outro sentimento, que ele, não podendo obter, quando sai, a admiração da porteira, dos transeuntes, do cocheiro ali estacionado, prefere jamais ser visto e renunciar por isso a toda e qualquer actividade que o obrigue a sair para a rua. Marcel Proust, in 'À Sombra das Raparigas em Flor' A Comédia do Ambicioso Um homem que aspira a coisas grandes considera todo aquele que encontra no seu caminho, ou como meio, ou como retardamento e impedimento, - ou como um leito de repouso passageiro. A sua bondade para com os outros, que o caracteriza e que é superior, só é possível quando ele atinge o seu máximo e domina. A impaciência e a sua consciência de, até aqui, estar sempre condenado à comédia – pois mesmo a guerra é uma comédia e encobre, como qualquer meio encobre o fim -, estraga-lhe todo o convívio: esta espécie de homem conhece a solidão e o que ela tem de mais venenoso. Friedrich Nietzsche, in 'Para Além de Bem e Mal' O Solitário As observações e as vivências do solitário que só fala consigo próprio são simultaneamente mais indistintas e intensas do que as do homem social e os seus pensamentos são mais graves, mais fantasiosos e nunca sem uma coloração de melancolia. Imagens e impressões que outros poriam naturalmente de lado após um olhar, um sorriso, um comentário, ocupam-no mais do que é devido, tornam-se profundas no silêncio, ganham significado, transformam-se em acontecimento, aventura, emoção. A solidão cria o original, o belo ousado e estranho cria a poesia. Mas cria também o distorcido, o desproporcionado, o absurdo e o proibido. Thomas Mann, in 'Morte em Veneza' A Independência da Solidão O que me importa unicamente é o que tenho de fazer, não o que pensam os outros. Esta regra, igualmente árdua na vida imediata como na intelectual, pode servir para a distinção total entre a grandeza e a baixeza. E é tanto mais dura quanto sempre se encontrarão pessoas que acreditam saber melhor do que tu qual é o teu dever. É fácil viver no mundo de conformidade com a opinião das gentes; é fácil viver de acordo consigo próprio na solidão; mas o grande homem é aquele que, no meio da turba, mantém, com perfeita serenidade, a independência da solidão. Ralph Waldo Emerson, in 'Essays' Perpetuar o Silêncio Já nada há de inofensivo. As pequenas alegrias, as manifestações da vida que parecem isentas da responsabilidade do pensamento não só têm um momento de obstinada estupidez, de autocegueira insensível, mas entram também imediatamente ao serviço da sua extrema oposição. Até a árvore que floresce mente no instante em que se percepciona o seu florescer sem a sombra do espanto; até o 'como é belo!' inocente se converte em desculpa da afronta da vida, que é diferente, e já não há beleza nem consolação alguma excepto no olhar que, ao virar-se para o horror, o defronta e, na consciência não atenuada da negatividade, afirma a possibilidade do melhor. É aconselhável a desconfiança perante todo o lhano, o espontâneo, em face de todo o deixa-andar que encerre docilidade frente à prepotência do existente. O malevolente subsentido do conforto que, outrora, se limitava ao brinde da jovialidade, já há muito adquiriu sentimentos mais amistosos. O diálogo ocasional com o homem no combóio, que, para não desembocar em disputa, consente apenas numas quantas frases a cujo respeito se sabe que não terminarão em homicídio, é já um elemento delator; nenhum pensamento é imune à sua comunicação, e basta já expressá-lo num falso lugar e num falso acordo para minar a sua verdade. De cada ida ao cinema volto, em plena consciência, mais estúpido e depravado. A própria sociabilidade é participação na injustiça, porquanto dá a um mundo frio a aparência de um mundo em que ainda se pode dialogar, e a palavra solta, cortês, contribui para perpetuar o silêncio, pois, pelas concessões feitas ao endereçado, este é ainda humilhado [na mente] do falante. O funesto princípio que já sempre reside na condescendência desdobra-se no espírito igualitário em toda a sua bestialidade. A condescendência e o não ter-se em grande monta são a mesma coisa. Pela adaptação à debilidade dos oprimidos confirma-se, em tal fraqueza, o pressuposto da dominação e revela-se a medida da descortesia, da insensibilidade e da violência de que se necessita para o exercício da dominação. Se, na mais recente fase, decai o gesto da condescendência e se torna visível apenas a igualação, então tanto mais irreconciliavelmente se impõe em tão perfeito obscurecimento do poder a negada relação de classe. Para o intelectual, a solidão inviolável é a única forma em que ainda se pode verificar a solidariedade. Toda a participação, toda a humanidade do trato e da partilha são simples máscara da tácita aceitação do inumano. Há que tornar-se consonante com o sofrimento dos homens: o mais pequeno passo para o seu contentamento é ainda um passo para o endurecimento do sofrimento. Theodore Adorno, in 'Minima Moralia' A Liberdade é a Possibilidade do Isolamento A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre. E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa sim é a tua tragédia, e a que trazes contigo. Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela. Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego' A Corrosão da Exposição Pública A vida de todas as nascentes profundas decorre com vagar; têm de esperar muito tempo antes de saber o que caiu nas suas profundezas. Tudo o que é grande foge da praça pública e da fama: é longe da praça e da fama que sempre viveram os inventores de novos valores. Foge, meu amigo, refugia-te na tua solidão! Vejo-te aguilhoado pelas moscas venenosas. Refugia-te onde sopre um vento rijo e forte! Refugia-te na tua solidão! Viveste muito perto dos pequenos e dos miseráveis. Foge da sua vingança invisível! A teu respeito só têm um sentimento, o rancor. Não levantes mais a mão contra eles! São inumeráveis; o teu destino não é ser enxota-moscas! São inumeráveis, esses pequenos, esses miseráveis; e já se viram altivos edifícios reduzidos a escombros pela acção das gotas da chuva e das ervas daninhas. Friedrich Nietzsche, in 'Assim Falava Zaratustra' Solidão Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. A solidão é o estado de quem se encontra ou se sente desacompanhado ou só. Ela é formada pela reclusão do individuo que não se adequa a sociedade e é expurgado. Solidão é também um sentimento humano complexo e psicológico. Quem sofre ou sente solidão vive sozinho, fora da sociedade. A morte é apenas um "entrar" na solidão, uma vez que a morte é um sentimento muito pessoal e intransferível.

4 comentários:

  1. O bom das nossas discussões é que a gente se diverte discordando Hahahahahhahahaahha.
    Mas agora você colocou muita coisa e ainda não li tudo, quanto à parte do Heiddeger, embora não acredite naquilo da solidão ser intrínseca ou essencial que já falamos, acho que se aplica a condição atual o lance do autêntico e inaltêntico (Tipo o negocio de Má-fé do Sartre) mas faço ressalvas ao fato de que às vezes tanto a solidão como a liberdade parecem conferir uma autonomia ao ser humano em relação à sociedade ou até separar individuo e sociedade dicotomicamente. Acho que Sartre chamava condição humana a situação que o mundo se encontrava quando o ser humano era “lançado nele”, mas que ela não afetava sua “condenação” a liberdade. Daí ele criticaria o Freud por atribuir motivos inconscientes as coisas, que seria não assumir a responsabilidade.
    Depois eu leio o resto...

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  2. bicho, muito bom esse levantamento. gostei demais

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  3. bom,eu por ter 10 anos,entendi um pouco pois li umpouco so o começo, pois nao e facil ler tudo de uma vez so.
    Sei que amamha eu lei por compreto,pois vou saber onde parei.
    Hoje nao li por que,descobri este sainte, hoje e agora esta de noite, e eu dormi cedo.
    Amanha eu voltarei e vou acabar de ler isso tudo.
    Resumindo achei muito bom,pelo menos o começo.
    Ah,ah,ah,ah.
    So.

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  4. tenho que falar que este texto e perfeito pra
    gente que tem serios proplemas emocionamente,
    pois e um texto muito interresante.
    Li pouco mais comprienti varias coisas.

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