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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


13 junho 2008

LENINE E EU

Hoje saí para ver o sol. Voltei à minha infância e, novamente criança, não tinha a mínima sensação de segurança. Muitas pessoas passaram por mim, ninguém que eu conhecesse de verdade. Mas pouco importa. Todos querem me fazer mal. Não há nada pior do que ser sozinho. Sozinho e doente. É triste constatar que a família não me diz muita coisa. Todos eles – assim como eu e todos sobre a terra; ainda está por nascer o super-homem de Nietzsche – são uns fracos. Mesmo a mãe, aquela que quer o melhor para suas crias, também é falha, ela não tem todas as respostas. Não sei o que fazer da minha vida. Tudo o que digo, escrevo, faço me parece equivocado. Por mais que eu queira, parece estar sempre faltando algo no meu desempenho, por exemplo. Intitulo-me artista, intelectual, filho de alguém, namorado de alguém, boêmio convicto, amante da beleza e com isso me entristeço. Considero-me uma fraude. Em tudo um mentiroso. Luto com palavras, embora tenha sido avisado para que não o fizesse. Crio mundos fictícios, imaginários com dados tão reais, coisas que a mim ou aos meus chegados acontecem. E continuo triste. Solitário. O que há de tão espetacular na vida de um ser humano? Seriam as suas inevitáveis idiossincrasias, a infinidade de seus pontos-de-vista? Como sempre, não sei. Conheço pessoas com pensamentos tão rasos, quero dizer, vidas que poderiam ser plenas, mas são apenas medíocres, pequenas. Senhoras, senhores, me recuso a ser pequeno. Já há tantos consumidores satisfeitos empurrando seus carrinhos cheios no supermercado – que não é lugar para ser feliz! – que eu não farei a menor diferença no comércio. Do mesmo modo, o músico de boteco não faz cócegas na indústria fonográfica. Mas, existe coisa mais bonita do que a vida de um músico de barzinho? Toda noite ele chega com o violão debaixo do braço, senta no banquinho, afina as cordas e solta a voz... e emociona a platéia. Transforma todo o barulho, o ruído do mundo, em harmonia. Melodia. Canção. Faz com que a imensa confusão transforme-se em paz. Enfim, ao caos primordial a ordem subjaz. Certa vez ouvi Lenine dizer que só era músico, porque fazer cinema é muito caro. Devo dizer que só faço cinema, porque não tenho o talento de Lenine!

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