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Têm dias em que a noite é foda.


17 junho 2008

EXPRESSIONISMO ALEMÃO

O Expressionismo Alemão foi um movimento cinematográfico do início do século XX, completamente voltado à expressão interior dos sentimentos do artista no momento da realização de sua obra. Esse pressuposto básico dialogou com uma certa tradição cultural e artística alemã proveniente tanto do gótico medieval quanto do Romantismo da geração Sturm und Drang, que teve em Goethe e Schiller seus representantes mais significativos; remetia também ao Simbolismo Francês e à Vanguarda pictórica que levava o mesmo nome (o expressionismo dos pintores Vincent Van Gogh e Edvard Munch, por exemplo). Munch, aliás, pintou o célebre quadro “O Grito”, imagem emblemática do expressionismo. Com o início da primeira grande guerra, a Alemanha, que até então havia encontrado dificuldades para estabelecer uma indústria de cinema consistente, ao ver-se isolada do circuito internacional, pode desenvolver sua produção de maneira a refletir hiperbolicamente seus medos e suas angústias, exorcizando e até “prevendo”, segundo leitura posterior do crítico Siegfried Kracauer, a ascensão de Hitler e os absurdos da segunda guerra. O expressionismo tentou focalizar o lado obscuro da alma humana em filmes como O Estudante de Praga, de Stellan Rye (1913), O Golem, de Paul Weneger (1920), Rua sem Alegria, de Pabst (1925), O Castelo Vögelod, (1921), A Última Gargalhada, (1924) e Fausto, (1927), estes últimos de Murnau. Os atores mais requisitados nesses trabalhos foram: Emil Jannings, Conrad Veidt, Werner Krauss, entre outros. A nova escola, de certo modo, retomou as propostas ideológicas e estéticas pelas quais se vinha construindo antes da guerra; assim é que, em 1919-20, vem à tona “O Gabinete do Doutor Caligari”, de Robert Wiene, filme inaugural do movimento. Muito afeito a uma completa revolução da cenografia cinematográfica, pode-se afirmar que pela primeira vez na história do cinema alemão os intelectuais, crítica e público interessaram-se verdadeiramente pelo “produto” cinematográfico enquanto obra de arte, produto cultural, pois foram “tomados” pelas distorções plásticas contidas na obra. A temática foi mais um dos elementos inovadores: a história traz um médico louco – Caligari – que manipula o jovem Cesare através da hipnose. Após a chegada dos dois a uma pequena cidade, começam a desaparecer algumas pessoas que pouco mais tarde são encontradas sem vida. A namorada de um dos personagens é seqüestrada, o que o impulsiona a investigar o caso. No final, esse rapaz é dado por louco pelo doutor, que na verdade é o verdadeiro louco e o responsável pelos crimes. Desse modo, esse e outros filmes expressionistas filiam-se ao realismo fantástico, de acordo com histórias de escritores como Edgar Allan Poe e Franz Kafka. Repetidas vezes, aparecem monstros e criaturas irreais, como em Nosferatu, de Murnau. O terceiro fator fundamental que se pode apreender nos filmes expressionistas é a particularidade de suas estruturas narrativas: muitas vezes elas eram feitas de forma oblíqua, o que não permite precisar, por parte do espectador, suas reais intenções ou estabelecer uma moral da história; além disso, não se permitia que os letreiros dos filmes aparecessem desordenadamente, de qualquer modo; ao contrário, eram milimetricamente calculados, visando efeitos estéticos específicos. Com base nesses dados, pode-se concluir que o Expressionismo Alemão foi a expressão de experiências interiores. Tudo o que consta daqueles filmes, lá está posto não em prol de uma narratividade objetiva, que possui na história e no modo de contá-la seu conceito mais importante; o que interessa no expressionismo é exatamente o “retrato” da subjetividade, o subtexto que paira atrás da superficialidade das situações, a essência escondida pela qual as coisas vêm a se manifestar exteriormente. Com seus cenários labirínticos e tortuosos, enredos fantásticos de monstros e assombrações, personagens exageradamente maquiados, grandes contrastes entre claros e escuros, procurava penetrar no mundo das sombras. Foi uma dramaturgia da hipérbole na qual o irreal se tornou realidade. Uma arte abstrata que não visava representar a realidade do homem - seja ela política, econômica ou social -, mas que, por outro lado, procurava exprimir o lado oculto da alma humana.

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