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It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


13 junho 2008

DECIDIDO

Como invejo Dostoiévski: ele não teve problemas com celular. Nem mesmo Raul, o profeta de dez mil anos. Pessoas felizes. Não tiveram aos seus encalços namoradas pertubentas mães preocupadas chefes importunantes toda a raça de credores. Viveram felizes tomando seus licores... Cervejas. Vodkas. Tinham à frente apenas o feltro verde da jogatina e a música rolando a seu bel-prazer. Sem chance cansarem dessa vida! Mas aqui, sul do Brasil, aquela mesma Curitiba – batida rodada recorrente -, a realidade é outra. Os coitados dos pobres empregados mal conseguem a alforria diária das 18 horas, já recebem torpedos mensagens chamadas. “Eta mulher chorona”; o jeito é atender, dizer: “Estou a caminho, já estou na XV”. É o que fazem: desbaratinam, ganham tempo. Mas é real que vão embora. Formam filas nas praças – a Santos Andrade, a Carlos Gomes, a Rui Barbosa, a Tiradentes – e se mandam. Desesperam-se direto pra casa, porém acabam trombando os conhecidos... “Ei, vamô lá no Bar do Paulo?!” A pedido tão sentido, não resistimos: “Tá bom, mas só uma... “ Uma nada, béra a rolê! Sobriedade às favas! Das sete, ficamos lá até as nove (o Paulo é assim meio chato mesmo, fecha cedo). Dalí é certo, a casa é o destino! Estamos quase chegando, pé direito dentro do portão, os vizinhos gritam: “Ei Chico, chega mais, assume aqui o violão”. Não há Cristo que resista. Lá vamos nós, tomá uma baiúca!! Desce aqui, empina ali, faz a mistura, tubão na mão, o conúbio etílico refrescante com limão. Lá pelas duas da matina chego em casa. Cautelosamente pé ante pé, os joelhos estralando. A mulher nem percebe; o anjo suspirando no berço, esperando seu momento de atuar no mundo cão. Deito ao lado da princesa, as barrigas competindo: muito chope. Em breve novo anjo. Na seqüência, dia seguinte, decido vou mudar. Às quatro da tarde peço licença ao chefe, compro flores, passo perfuminho, sou todo dengo, todo amores... Pego táxi – o luxo do mês -, chego na esquina da residência às quatro e quarenta e cinco. O plano? Voar pra casa, mais rápido que uma bala: minha mulher não merece desgosto. Já no rumo certo, decido fazer surpresa: comprar queijo e presunto. Preparar café. Um lanchão assim-assim. Na mercearia, os freezeres cheios de cerveja à espera dos trabalhadores. Com as idéias tudo abaixo. Sou mesmo um bêbado, alí me acabo. Esse é o meu fim.

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