Loading...

It's been a hard days night!

Têm dias em que a noite é foda.


13 junho 2008

APENAS MAIS UM DIA EM CURITIBA

Surtei de vez. No Marco Zero de Curitiba, entrei na fila do sopão. Por alguns minutos estive na pele de um morador de rua. Na Riachuelo, uma mulher de programa ofereceu o seu negócio. Continuei descendo. Na Santos Andrade encontrei um amigo que estava indo ao B.B. King no Guaíra. Ele havia comprado o ingresso mais barato: iria assistir ao show das escadarias do prédio histórico da Federal. Mais abaixo, vi escrito num muro: “Requião tem razão, Requião é homê bão!”. Decidi tomar uma gelada. Mais um bar, da mesma cidade. A fria e doce Curitiba. Ou amarga? Depende o dia. No player, uma música pop sulista. Jovens-drogadinhos-mimados-classe-média-alta disfarçam suas insignificâncias conversando alto, regados a muita bebida. Quantos minutos guardados dentro da mesma garrafa? Passa um bom tempo e eles ali comemorando (ou bebemorando?) suas vidas vazias. Quatro deles saem voando num carro pilotado pelo mais novo deles: apenas 15 anos. Em pouco tempo, 140 Km/h parados numa esquina qualquer. Eu, por minha vez, pego o lotação... Por que me irrito tanto com estas pessoas que ao mesmo tempo amo e odeio? Pessoas igualmente lindas e feias. Nos ônibus encardidos pelos quais nos locomovemos, nunca não tem uma criança chorando. E comendo. E bebendo. Refrigerantes marcas diabo. E duas ou três fungando e tossindo em nossas faces. Noutro canto da cidade, Oil Man canta Elvis num bar da moda. Noutro, a Boca Maldita continua exalando todo seu conservadorismo. Tradição. Adequação. No McDonalds, patricinhas e playboyzinhos deliciam-se com seus hambúrgueres de bichinhos. Alface com gosto de papel. Adolescentes suburbanos jogam sabão-em-pó na fonte da Cruz Machado. Os soldadinhos de chumbo, aparelho repressor do estado, lhes descem a borracha. Põem fogo em mendigo do Largo da Ordem (lago enterrado da ordem?). Na Boca do Lixo, mais prostitutas. No Snooker da Osório, garotos de programa. Na Rua das Flores, os anarcopunks: “Você gosta de poesia? Quer dar uma olhada nos adesivos?”. Nas noites frias de Curitiba, os pelados da Praça Dezenove ficam desprotegidos. Aproveitam para ligar as muitas fontes, chafarizes. Assim é um ou outro menino de rua mais ousado que resolve tomar banho. Por que não tiram os pobres das ruas? Assaltos. Seqüestros. Assassinatos. Enfim: aqui tudo em ordem, no seu devido lugar. Devo ficar? Não!! Prefiro pôr o bondinho nos trilhos, passar por cima da ponte-preta, ir-me embora e deixar no passado mais um dia de Curitiba.

Nenhum comentário:

Postar um comentário